quinta-feira, agosto 25, 2005

Tss tss tss

Via Bicho Carpinteiro, fiquei a saber que João Carlos Espada considera negativo um homem não ceder lugar a uma mulher.

O único adjectivo que me vem à cabeça é, obviamente, o de FROUXO !

Então não temos todos direitos iguais ? Uma mulher tem mais direito a estar sentada do que um homem a que propósito ?

Isso faz-me lembrar o que me aconteceu há uns 10 anos no metropolitano. Estava eu sentado, conjuntamente com três mulheres, nos lugares para cidadãos portadores de deficiência, pessoas com dificuldades de locomoção, grávidas e pessoas acompanhadas por crianças de colo.

Apareceu uma senhora precisamente nesta última situação.

Ora, foi ver os olhos das outras três dirigidos para mim, com uma cara de "é você que tem obrigação de se levantar porque é homem". Perante tal atitude de arrogância, obviamente fiz como se não fosse nada comigo. Uma delas acabou por se levantar.

Somos iguais ou não somos ? O que é triste é ver como há quem defenda a assunção de uma posição de inferioridade por parte dos homens!

11 Comentários:

Às 25 agosto, 2005 16:27 , Blogger Marcelo Moniz disse...

Graças a deus, graças à humanidade ou graças ao que quiseres, que felizmente somos todos diferentes!!!

JCE não defende no seu artigo que os homens que não cedem o lugar às senhoras são inferiores, como se depreende do teu texto.
JCE apenas considera essa atitude negativa, pouco cavalheiresca e educada (para os seus padrões sociais e de etiqueta).

Obviamente que esses padrões podem não ser os teus.
Obviamente JCE tem o direito de questionar onde estão as boas maneiras (para os seus padrões sociais e de etiqueta)

Como livre-pensador e tolerante, respeito a tua opinião, embora me identifique com o JCE.

Mas francamente, Pedro, iguais é que não !!!

 
Às 25 agosto, 2005 16:40 , Blogger Pedro Sá disse...

Não há, nem pode haver, nenhuma diferenciação em função do sexo. Somos todos iguais perante a lei.

O cavalheirismo que JCE defende prejudica o homem, não haja dúvidas disso. Como aliás o machismo tradicional.

A questão, em rigor, não é de educação. É de comportamento e de igualdade de direitos e de condição.

Felizmente, homens e mulheres têm hoje direitos iguais. O que não é aceitável é a continuidade de certas práticas que consubstanciam inferioridade de um género face ao outro.

Esta é uma delas. Mas por que raio é que uma mulher tem mais direito a estar sentada do que um homem ? É mais que ele ?

Isto faz-me lembrar o início da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos na década de 50, passe o exagero. Tudo começou por uma revolta contra a norma que dava aos brancos prioridade absoluta na ocupação de lugares nos autocarros. Qual era o significado dessa norma ? Os brancos são superiores aos pretos (escusam de dizer que sou racista por usar esta palavra, é que não pega mesmo), obviamente.

Dizer que é boa educação um homem dar lugar a uma mulher é, obviamente, dizer que é demonstração de boa educação o homem assumir inferioridade face à mulher. O que é inaceitável e ofensivo.

 
Às 26 agosto, 2005 11:17 , Blogger AA disse...

Ui... grande volta... o argumento pode ser invertido -- e a mulher que é fisicamente frágil e portanto precisa mais de ir sentada -- na linha do previlégio de deficientes físicos, grávidas e pessoas com bébés...

Seja como for, é do domínio da prática social, não dos "direitos"... quando imposto, o cavalheirismo, tal como a boa educação (não estou a insinuar que haja ligação, por vezes cavalheirismo parte do pirosismo puro e duro) perdem todo o seu valor. É um pouco como o "agora pede desculpa"- dar mais importância aos gestos do que às intenções genuínas.

 
Às 26 agosto, 2005 11:20 , Blogger Pedro Sá disse...

Dizer que a mulher é fisicamente frágil é passar às mulheres um atestado de inferioridade.

E é meio caminho andado para discriminações contra elas...

 
Às 26 agosto, 2005 11:21 , Blogger AA disse...

A propósito, uma provocação: Em casos de força maior, quem deve dar o lugar?

Deve prevalecer o "first in, first out" (quem está à mais tempo cede o lugar), ou o "last in, first out" (quem chegou primeiro tem primazia)?

Para maximizar o inconveniente e forçar o sistema a LIFO, muitas pessoas sentam-se nos sítios mais inacessíveis.

Agora, há uma "moral" de "stacking" ou "queueing" que se possa impor aos transportes colectivos?

 
Às 26 agosto, 2005 11:27 , Blogger Pedro Sá disse...

Talvez o "quem vai sair primeiro" ??

 
Às 26 agosto, 2005 11:27 , Blogger AA disse...

Pedro, não me passa pela cabeça dizer que sejam intelectualmente inferiores. Mas estatisticamente, têm menor força e resistência físicas. Faz parte da vida.

A questão aqui é saber se por serem "inferiores" fisicamente (é verdade, não vale a pena andar com rodeios), têm "direito" a tratamento preferencial -- ou tendo pago o mesmo que todos, têm de sujeitar-se às existências de lugares ou aos humores dos demais passageiros...

 
Às 26 agosto, 2005 11:32 , Blogger Pedro Sá disse...

Não têm menor força e resistência físicas em termos reais e práticos. Apenas em termos absolutos.

 
Às 26 agosto, 2005 11:46 , Blogger AA disse...

"Quem vai sair primeiro" levanta-se (ou não se senta).

Faz algum sentido. Ficam os que têm destinos mais distantes. Assim diminui a dispersão estatística do tempo de permanência no assento, aumentando a rotatividade.

O que é chato é as pessoas terem de dizer umas às outras onde saiem... >)

 
Às 26 agosto, 2005 15:15 , Blogger AA disse...

Pedro, levado até ao extremo, podíamos correr o risco de as senhoras passarem a vestir-se de homens. Isso era mau >)

 
Às 26 agosto, 2005 17:13 , Blogger Pedro Sá disse...

Para mim é igual ao litro. Travestis por travestis, não me faz diferença nenhuma que existam.

O direito à imagem existe e cada um sabe de si.

 

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