sábado, agosto 13, 2005

O nacional-bimbismo

A bimbice dos políticos portugueses:

"A escolha do dr. Armando Vara é da minha inteira responsabilidade. Escolhi-o porque conheço pessoalmente as suas qualidades e capacidades."
TEIXEIRA DOS SANTOS DIÁRIO ECONÓMICO, 12-08-05

"É de um elitismo chocante presumir-se que só os licenciados ou doutores são competentes."
IDEM, IBIDEM

Ora façamos um pequeno exercício: se o novo ministro trata o (publicamente reconhecido) incompetente do Armando Vara por Doutor, e nas linhas a seguir explica que ser licenciado não quer dizer competência, em que ficámos? O próprio ministro admite a incompetência do seu escolhido?

Este políticos portugueses estão pela hora da morte...e o que mais me preocupa é a nova geração. Onde apenas muito poucos, muito, mas mesmo muito poucos, se aproveitam.

p.s. - se me quiserem expulsar do blogue, estejam à vontade ; )

12 Comentários:

Às 13 agosto, 2005 15:32 , Blogger Pedro Sá disse...

Uma daquelas gaffes inofensivas mas adoráveis hihih

Lá está o hábito de chamar doutor a tudo o que tenha determinados cargos...

 
Às 13 agosto, 2005 15:55 , Blogger 2x1 disse...

FG, estou contigo!
Em Portugal, existe de facto uma obsessão pela utilização dos títulos, no trato interpessoal.
Somos dos poucos países da Europa -senão o único- que distigue com o título de "Doutor", todo e qualquer possuidor de uma licenciatura. Depois, vêm as confusões: os doutores, os doutorados, os médicos, e ainda os professores e os que são professores-doutores.
Em qualquer país civilizado, os homens são tratados por "senhor" e as mulheres por "senhora", Mr./Mrs., Herr/Frau, Monsieur/Madame, etc, etc. Nos países anglo-saxónicos, por exemplo, apenas os Médicos são referidos como Doutores -"doctor"-, ainda assim uma abreviatura de MD (Medical Doctor). Os outros "doctors", são PhD's (Philosophiae Doctor) e basta. As pessoas têm "higher education", ou não, mas isso não se reflecte na maneira como são tratadas.
A situação, por cá, chega a roçar o ridículo. Vejam-se os debates políticos na rádio ou na televisão... Os seus participantes gastam metade da frase a enunciar o título e nome do interlocutor...
A obsessão pelos títulos é uma herança do tempo da ditadura. Os poderosos eram, invariavelmente "doutores". Depois do 25 de Abril e com o livre acesso às universidades (que defendo, mas não de forma totalmente gratuita), todas as famílias quiseram que os seus filhos fossem "doutores". Ir para a universidade tornou-se a norma, mesmo para os jovens que não tenham notas, ou capacidades ou mesmo reais vocações universitárias. Esta paranóia, está a levar a um acentuado diminuir de interesse das profissões tradicionais ou dos cursos técnicos ou politécnicos, o que a longo prazo traz várias consequências:
- a dificuldade de se conseguirem bons técnicos para prestação de serviços, seja a particulares ou a empresas (e a enorme especulação nos preços);
- a incapacidade das Universidades Públicas para absorverem tantos cadidatos e a consequente abertura de ainda mais cursos e Universidades Privadas;
- a saturação do mercado de trabalho em algumas àreas (já se verifica em Direito, Gestão, Arquitectura, Algums Engenharias);
Enfim. O uso e abuso dos títulos é um mecanismo perverso de clivagem social e não se admite numa sociedade democrática e equalitária...
Saudações para a terra das socas!

 
Às 13 agosto, 2005 17:44 , Blogger Pedro Sá disse...

2x1, tu pareces certa direita a dizer que há licenciados a mais...

 
Às 14 agosto, 2005 23:58 , Anonymous Luis Duarte disse...

Para 2X1

Tenho de orçamento familiar pouco mais de 1.000 euros, tenho um filho a acabar a licenciatura em Informática de Gestão com médias muito acima do que é normal (18) agora vai entrar para arquitectura um outro filho com média de 19,2.

Já que o meu amigo é a favor do ensino não gratuito (porque gratuito nunca o foi) diga-me como vou pagar 1800 euros de propinas este ano mais os encargos todos de 2 alunos a estudar.

É muito fácil falar quando se tem a barriga cheia, agora quando ela está vazia.....

 
Às 17 agosto, 2005 23:54 , Anonymous Luis Duarte disse...

Para 2X1

O Senhor ficou sem retorica??????

 
Às 22 agosto, 2005 16:21 , Blogger 2x1 disse...

Olá. Estive de "férias". Vi o país a arder de Norte a Sul, ainda que da perspectiva confortável da auto-estrada. É terrível, é uma vergonha, é o descrédito total na governação deste país.

Caro Pedro Sá:
- Por mais de esquerda que eu seja (e sou), não vou ser politicamente(hipócitamente)-correcto ao ponto de não afirmar que há licenciados a mais. De facto, HÀ. MAS, se calhar estão é mal distribuídos pelas àreas do conhecimento que são necessárias para o país. Se, a título de exemplo, não se formassem mais arquitectos durante 10 anos, não se perdia nada (só perdiam os sócios das cooperativas de ensino que gerem as universidades privadas. E a corja de arquitectos chupistas que também querem ganhar uns cobres largos a dar aulas na universidade). Haveria de certeza menos escravidão e trabalho precário (trabalho não-remunerado ou a recibos verdes) e mais possibilidade de acesso ao trabalho e aos concursos. Somos o país do mundo que mais arquitectos forma "per capita"! Para quê??????? (Perceba-se que sou arquitecto. Lamento a falta de modéstia, mas eu sei do que estou a falar)
Mas isto dava pano para mangas.

Caro Luís Duarte:
Não sei se percebeu, mas eu sou a favor do ensino público, mas a valores razoáveis. É óbvio que é chocante o valor das propinas, quando o estado compra submarinos que não servem para nada...
Deixo-lhe um conselho, mas não me leve a mal: da forma como as coisas estão e como caminham, e por mais vocação que o seu filho ache que tenha para arquitectura, se lhe tem Amor, convença-o a escolher outro curso.

Cumprimentos a todos.
Até à próxima.

 
Às 22 agosto, 2005 16:27 , Blogger Pedro Sá disse...

1. Não, não há licenciados a mais. As pessoas é que têm de uma vez por todas que perceber que lá por terem uma determinada licenciatura isso não quer dizer que alguma vez venham sequer a trabalhar nessa área.

2. Entre considerar que os Governos, sejam eles de que cor política forem, têm responsabilidade pela existência de incêndios, e considerar que se não chove a culpa é do Governo a diferença é praticamente zero.

3. Curioso...o 2x1 vem aqui, na prática, basicamente defender para os arquitectos o mesmo que o dr. Marinho defendia para os advogados...numerus clausus, limitando inconstitucional e imoralmente o acesso à profissão a bem da garantia de todos os que a ela acedessem estarem desde logo bem remunerados...

A esse e qualquer outro corporativismo eu obviamente digo NÃO !

 
Às 23 agosto, 2005 13:26 , Blogger 2x1 disse...

Qual corporativismo, meu caro?
Eu, por acaso nem trabalho na àrea da arquitectura. Já trabalhei, mas fui explorado pelo meus parceiros de "corporação"... Que bonito já viu?
O que eu quero evitar com a limitação do acesso aos cursos de arquitectura, é o defraudar das expectativas dos jovens. Não trabalhar na àrea em que se estudou? Se for por contingência é aborrecido, se por escolha for, menos mal. Agora, obrigar os jovens a prolongarem os seus estudos por mestrados, pós-graduações e doutoramentos, porque já só a licenciatura não chega nem diferencia e principalmente porque NÃO HÁ TRABALHO (qualificado, entenda-se, que para caixa do continente há sempre lugar. É um trabalho honrado, mas deprimente para quem andou tantos anos a estudar).
O amigo Pedro Sá, conhece por acaso o exemplo italiano?
Por lá, todos os jovens são licenciados. Por lá, um diploma universitário tem tanto valor como o Diploma de participação na maratona escolar de Carrapito da Serra. Por lá, quem lhe serve o Big Mac é um licenciado, quem lhe serve a àgua com gás na esplanada é um licenciado. Licenciados ao pontapé podem ser uma vantagem cultural, segundo alguns, quando eleva o nível médio de educação/cultura da população. Mas para mim a massificação do ensino superior, também incorre no descrédito da Instituição Universitária e na banalização dos cursos de pós-graduação e doutoramento... Não se trata de elitismo, trata-se de qualidade. Será que se consegue um nível aceitável de qualidade formando 2500 arquitectos por anoo em portugal? e que tal 10000 em Itália? Se houver qualidade, então está tudo bem, não se fala mais nisto e amigos-como-dantes.
(por alguma razão não se formam mais médicos por ano em portugal, nem se abrem cursos privados: por causa da qualidade!!! porque supostamente, com a saúde não se brinca. É verdade que também é por que as Faculdades já não têm condições físicas para formar mais gente como é exmplo a Fac de Medicina da Univ. do Porto, que funciona no abarrotado Hospital de S.João. A minha esposa é médica e trabalha lá. Mais uma vez, falo do que sei)
Cumprimentos a todos.

 
Às 23 agosto, 2005 13:31 , Blogger Pedro Sá disse...

Pois é 2x1, temos perspectivas MESMO opostas:

1. Essa é uma das grandes vitórias da Democracia: a massificação do Ensino Superior. Talvez outros preferissem a sua restrição a meia dúzia de pessoas só para ser considerada uma grande coisa estar na universidade. Mas não. Felizmente, frequentar o ensino superior tornou-se uma banalidade.

2. Não vejo o mínimo problema na banalização dos estudos pós-graduados (o que inclui os doutoramentos).

3. Essa desculpa da qualidade relativamente à Medicina é apenas isso: uma desculpa e uma grande MENTIRA, utilizada para restringir o número de médicos.

4. Defraudamento de expectativas ? Desde quando ? Estamos em 2005. Actualmente, ninguém no seu perfeito juízo pode ter por expectativa real ter a certeza de vir a trabalhar na área em que se licenciou.

 
Às 24 agosto, 2005 12:15 , Blogger 2x1 disse...

E o senhor a dar-lhe!!!!

1.
Massifique o Ensino Superior, tudo bem. Mas massifique também o Politécnico. Sim, porque neste país de CAGANÇA, todos querem ser doutores e engenheiros pela universidade, porque "aquilo do politécnico é ensino de segunda". Por isso somos todos um teóricos, uns treinadores de bancada!!!
2.
Se não vê o problema da banalização dos doutoramentos, não sou eu que lhe vou explicar a questão. Queremos qualidade não banalidade. Ainda por cima esses melhores, a nata dos investigadores e cientistas sai do país e não volta...
Devia era "banalizar-se", ou melhor: generalizar-se o apoio à investigação, o investimento na ciência, na tecnologia, no FUTURO. Abrir mais cursos de arquitectura, mara mais uns poucos se encherem e 2500(!) jovens por ano serem massacrados e enganados é que não. Para quê mais arquitectos num país que despreza a Arquitectura???!!! Olhe à sua volta, acha que as nossas cidades, vilas e aldeias estão a ficar mais bonitas? Haver mais arquitectos não vai mudar nada, porque isto é uma terra de esquemas e compadrios. O mais normal para os que não querem ser explorados num gabinete a trabalhar por uma miséria a recibo verde (5 eur/h se quer saber), é "venderem-se" a um empreiteiro e fazerem mais caixotes ao alto. Não há idealismos que resistam à luta pela sobrevivência e à ditadura do lucro. Mas isto já é outro assunto.
3.
Restringir o número de Médicos? Nós, de facto, temos maus governantes. Mas, o que está a insinuar é que o governo prefere mesmo pagar ordenados completos a médicos espanhóis que cada vez mais abundam nos hospitais portugueses, a formar médicos portugueses, que caso não saiba têm uma formação muito melhor e mais completa e durante essa mesma recebem metade do ordenado dos espanhóis. Se acreditarmos que realmente o plano é desbaratar dinheiro e destruír o sistema nacional de saúde para privatizar tudo, então talvez a desculpa da qualidade seja uma mentira.
4.
Mas quem é que está a dizer que uma pessoa tem que trabalhar na àrea em que se licenciou? Eu não o faço, não pretendo fazê-lo e não me martirizo por isso. Quem parece ressabiado é o senhor.

Eu gosto de debater, não de ridicularizar os outros, e o senhor tem uma postura demasiado agressiva para o meu gosto...
A nossa conversa acabou aqui.

 
Às 24 agosto, 2005 12:34 , Blogger S. disse...

O sr. Pedro Sá só pode estar a brincar...
Nisto tudo que li, só disse uma coisa com verdade. O Pedro Sá e o 2x1 têm perspectivas mesmo opostas.
O 2x1 está CERTO e o P. Sá está ERRADO.

 
Às 24 agosto, 2005 17:23 , Blogger Pedro Sá disse...

1. Como se o Politécnico não estivesse igualmente massificado. Felizmente que se caminha para o fim dessa distinção.

2. Nunca ninguém me ouviu falar contra redução de vagas em licenciaturas, mas sim contra cortes nos acessos às profissões. É diferente.

3. O Governo de António Guterres decidiu abrir dois novos cursos de Medicina. E viu-se a reacção da Ordem dos Médicos, sempre contra qualquer aumento de vagas. O país precisa de médicos e há que aumentar o número de vagas.

4. Eu não estou nada ressabiado. Outros, pelo contrário (com os professores à cabeça) passam a vida dentro de uma lógica pela qual só se poderia trabalhar na área de licenciatura.

 

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