sexta-feira, julho 22, 2005

Pelo contrário...

Estou de acordo com o que defende relativamente às malfadadas quotas de música portuguesa.

Contudo, não contesto a legitimidade do Estado para, em abstracto, impor este tipo de medidas, tendo em conta que o espectro radioeléctrico é do domínio público.

Pura e simplesmente não concordo.

7 Comentários:

Às 22 julho, 2005 10:50 , Blogger AA disse...

Caro Pedro,

No domínio público manda o Estado (o que não quer dizer que não esteja sujeito ao escrutínio e crítica dos cidadãos).

O Estado tem obrigação, na perspectiva do interesse do consumidor, de garantir padrões mínimos de qualidade, nomeadamente regulando frequências e potências de emissão.

Recuso em absoluto interferências directas ou indirectas no conteúdo editorial dos mass media— é disto que se trata — a menos que seja um motivo de força maior.

Por motivos de força maior refiro-me à difusão de mensagens de ódio ou hardcore ao desbarato. O "laisser-faire" não é anarquia. Isto dava outra discussão.

Não há relativismos; ao "promovermos" a "música portuguesa" também podíamos estar a promover "uma ideia para a Europa", "a moral e os bons costumes", "os projectos indiscutíveis de investimento público", "a vontade do povo" etc etc

Uma ideia que eu gostava de ver implementada era um "investimento" no ensino da música na escola pública...

Um abraço,

António

 
Às 22 julho, 2005 11:26 , Blogger Pedro Sá disse...

António: eu disse que uma medida destas é legítima, não que concordo com ela.

Quanto ao investimento no ensino da música, discordo por inteiro. O País não ganha nenhum valor acrescentado com isso.

 
Às 22 julho, 2005 16:10 , Blogger AA disse...

Quando digo "investimento" digo olhar-se para o programa da disciplina de Educação Musical de uma forma mais séria -- penso que faz parte da formação de uma pessoa— tal como a Filosofia, História ou Português...

Em EM, aprendia-se a tocar flauta, xilofones e triângulos. Wow. Mas nunca se pôs uma sinfonia qualquer a tocar, explicando o significados dos andamentos, os grupos de instrumentos, etc

Da teoria recordo pouco. Relembro vagamente a noção de canon (um bom exemplo é o Frere Jacques). Mas nunca se ouviu uma qualquer fuga de Bach ou Shostakovich, ou se relacionou com a História, ou com a cultura pop e publicidade, nada... pode parecer música, mas estas coisas ajudam a interpretar o mundo em que vivemos...

 
Às 22 julho, 2005 18:55 , Anonymous Anónimo disse...

A música é cultura, nós próprios somos cultura e ela define em parte a nossa identidade.

Goste-se ou não, o fado, o folclore, etc. são um atrimónio que importa manter a todos os niveis. Desde o investimenton turistico que daí pode advir até à nossa própria marca a nivel mundial.

Mas a cortar no investimento musical, comece-se pelas coisas grandes para grupos pequenos como por exemplo o Festival da Eurovisão!!!!

 
Às 23 julho, 2005 18:06 , Blogger Mario Garcia disse...

Quotas musicais só para o Festival da Canção !!!!
E na televisão Pública.

 
Às 24 julho, 2005 20:00 , Blogger Pedro Sá disse...

O Festival da Canção certamente não está abrangido pelas obrigações de serviço público da RTP.

É algo em que a RTP participa enquanto empresa. Em qualquer caso, diz-se a voz não muito baixa que a TVI está caidinha para conseguir ficar com a Eurovisão...

 
Às 25 julho, 2005 00:21 , Anonymous Anónimo disse...

Espero que esse miseravel programa acabe

 

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