quinta-feira, agosto 11, 2005

Dúvidas de uma Tarde de Agosto

No caso da nomeação de Armando Vara para a Administração da CGD, crítica mais contundente que lhe é feita é do género:
«O gajo era um simples balconista quando começou, e agora, após estes anos todos, por ser do PS e amigo do Sócrates, vai para o Conselho de Administração

Agora supunhamos que Armando Vara, em vez de se dedicar à política, fazia a sua carreira dentro da CGD, conhecia entretanto José Sócrates, participava no 'Forúm das Novas Fronteiras' como independente, e era nomeado para Administrador da CGD.
Alguém se importaria com o caso?

Quem conhece os restantes membros do distinto Conselho de Administração da CGD, para além da Celeste Cardona e do Armando Vara?
E se Armando Vara tivesse ido para 'consultor' do BCP ou do BES, alguém se ralava?

Vem este raciocínio também a propósito da célebre reforma às reformas dos políticos. Armando Vara, durante a sua carreira política, já exerceu diversos cargos, desde Deputado a Secretário de Estado.
A opinião pessoal que se tenha dele (negativa logo à partida, só pelo facto de ser um 'político'), é irrelevante para o caso.
Estarão os cidadãos do nosso País dispostos a compensar aqueles que trocam a sua carreira pela 'causa pública'?
Sem esta noção de cidadania, como se poderá alcançar um ponto de equilíbrio e bom-senso?

O que a 'populaça' gostaria, atiçada pelos insaciáveis media, era ver Armando Vara de volta ao balcão da CGD de Bragança, a abrir contas aos emigrantes e a atribuir cadernetas, proibido, é claro, de tocar em notas. Afinal, não deixará de ser um político...

26 Comentários:

Às 11 agosto, 2005 19:19 , Blogger HB disse...

Integralmente de acordo. Abraço.

 
Às 11 agosto, 2005 19:50 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

As posições que aqui tenho tomado não são contra o Armando Vara ou outro qualquer, são posições de bom senso, politico não é uma profissão, por isso não têm que ser reformados após 12 anos de "trabalho" nem têm que acumular reformas em barda como o ex ministro das finanças que tinha 3.


Eu, pessoalmente estou na disposição de compensar Armando Vara e todos os outros políticos por 36 anos dados à causa pública e 65 anos de idade, menos do que isto não, são sacrifícios que todos nós temos que fazer, não foi Socrates que disse (desta vez não são os mesmos a pagar).

 
Às 12 agosto, 2005 00:43 , Blogger André disse...

Pois é, cada vez mais me convenço de que ter cartão de militante começa a ser um "handicap". Também acho que se o homem nao tivesse cartão do partido ninguém dizia nada. É um pouco irritante, este populismo ignorante (ok, é redundante).

 
Às 12 agosto, 2005 02:10 , Anonymous Anónimo disse...

Parabéns.
Acrescente-se que também foi Ministro.
Quanto ao retrato,é caso para perguntar...Será que não se pode ser politico neste pais sem o rótulo de suspeita?

 
Às 12 agosto, 2005 02:43 , Anonymous Anónimo disse...

Uma perguntinha André: Alguma vez na vida, por mais competente que fosse, Vara chegaria em tão pouco tempo a Administrador da CGD? Chama-lhe "handicap", eu cá dou-lhe outro nome: TACHO
Contribuinte Líquido

 
Às 12 agosto, 2005 08:11 , Blogger fg disse...

Pensamento sincero do dia:
A Política é uma Merda!

 
Às 12 agosto, 2005 16:10 , Blogger Clara disse...

Caro fg: eu diria melhor: a política de direita é uma merda!

 
Às 12 agosto, 2005 22:25 , Anonymous Anónimo disse...

Essa Clarinha só pode ser daquelas que nasceu com o cu para a lua, que não sabe o que custa a vida, ou anda à mama do orçamento. Quando se defende o aperto do cinto ao povo e se dá chorudas reformas aos boys and girls,quando se promovem balconistas a administradores só porque têm o cartão rosa (ou outro qualquer) está tudo dito. Clarinha VAI TRABALHAR MALANDRA

 
Às 13 agosto, 2005 09:48 , Blogger fg disse...

O caro anónimo deve ser de direita.

Porque se há coisas que diferenciam as pessoas de esquerda e de direita é a frontalidade. E como já reparou todas as pessoas de esquerda que aqui escrevem assinam com o próprio nome.

Porque assinou como anónimo? Medo de represálias? Descanse, a esquerda acabou com o salazarismo.

Tenha coragem! Deixe de ser hipócrita, discuta como uma pessoa civilizado (sim, tb as há na direita portuguesa, poucas, mas há).

Passe bem!

 
Às 14 agosto, 2005 01:23 , Anonymous Fernando Morgado disse...

Caríssimos,
Vinha para comentar o post mas depois de ler os comentários vou começar por "comentar os comentários" e só depois o post. Quero, antes de mais, esclarecer que sou assumidamente de esquerda, militante do PS e da JS. E começaria por comentar a visão da dicotomia esquerda vs direita como bem vs mal (um bocado ao estilo Bush...). Parece-me preocupante que se rotule a política como sendo boa ou má pelo facto de ser de esquerda ou de direita. Acreditem que a competência e a incompetência andam lado a lado tanto na direita como na esquerda. Desiluda-se a Clara se julga que na esquerda não há merda. Infelizmente há. E há porque muita gente está nos partidos desprovida de qualquer conteúdo ideológico ou interesse altruístico. É impossível garantir que no nosso partido, por exemplo, todos os 50 ou 60 mil militantes sejam políticos impolutos e capazes. E quem diz no nosso diz em qualquer outro. Qual será então a solução? Acabar com os partidos políticos? Longe disso. O que é necessário é que quem está nos partidos não perca o espírito crítico e não se deixe arrastar pelo seguidismo tão característico da política. Não devemos ter medo de concordar como não devemos ter medo de discordar. As lideranças também erram e só podem melhorar com o contributo crítico das bases. Não podemos é confundir a crítica construtiva com a crítica fácil.
No que diz respeito aos ataques gratuitos e violentos (diria mesmo virulentos) de que a classe política é alvo parece-me que eles efectivamente existem. É inegável que há um enorme estigma a pairar sobre os políticos e que se faz notar sobre todos: sobre os bons e sobre os maus. Este estigma muitas vezes injusto, será fruto por um lado da necessidade de criticar tão típica do nosso povo (onde há sempre 10 milhões de pessoas mais competentes que o Primeiro-Ministro em funções seja ele qual for...) e por outro da real ineptidão de alguns titulares de cargos políticos. O que sucede é que "em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". Estando nós a viver uma fase economicamente difícil é imperativo que a classe política faça um esforço suplementar de credibilização dando o exemplo e escolhendo os melhores independentemente de tudo. E é a propósito deste ponto que parto para o comentário do post. Fui, na altura, crítico da nomeação da Dra Celeste Cardona por me parecer que se tratou de um caso puro de favorecimento político. Neste momento, não consigo encarar a nomeação do Sr Armando Vara de forma diferente. Só na minha Federação ocorrem-me 4 ou 5 nomes de militantes do PS bem mais competentes do que o senhor em questão. A determinada altura o Miguel diz que se se tratasse de uma nomeação para consultor do BES ou BCP ninguém diria nada. Temos que convir que são situações que não encontram qualquer paralelismo e que o argumento é revelador da dificuldade de fundamentar a escolha do Sr Ministro. Com efeito o BES e o BCP são privados onde o Estado não tem qualquer peso e das nomeações desses bancos podem-se queixar os seus accionistas. Já a CGD conta com o Estado português como principal accionista o que dá a todos os portugueses o direito de se pronunciarem e indignarem com as escolhas feitas. Sobre isto, e porque o comentário já vai longo, só me resta acrescentar que o Governo não pode e não deve orientar-se exclusivamente pela opinião pública mas à mulher de César não basta ser séria, também é necessário parecer...

 
Às 14 agosto, 2005 01:29 , Anonymous Fernando Morgado disse...

É só para pedir desculpa ao Mário por lhe ter chamado Miguel no meu comentário... :)

 
Às 15 agosto, 2005 06:19 , Anonymous Anónimo disse...

Plenamente de acordo caro Fernando Morgado: o problema é esse mesmo. Digo-lhe mais: enquanto os cidadãos não perceberem que é pela militância (qualquer que seja o partido) que se pode melhorar, pela crítica construtiva, a qualidade da política, enquanto não perceberem isto, dificilmente as coisas melhorarão. É preciso não esquecer que são os militantes a escolherem os dirigentes...
Contribuinte Líquido

 
Às 15 agosto, 2005 16:42 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Ó Contribuinte Liquido.

Essas palavras que acaba de escrever são de certeza de alguém que não milita nem militou em partido nenhum, porque se não sabia o que é "caciquismo" pelo menos conhecia a palavra e o seu significado.

 
Às 15 agosto, 2005 19:36 , Anonymous Fernando Morgado disse...

O caciquismo só é possível por causa de quem está na política sem qualquer tipo de idelogia ou espirito altruista, como referi. É preciso ter consciência que em democracia todos somos políticos, ainda que não estejamos inscritos em nenhum partido político. A participação nos partidos, pela dedicação e disponibilidade que exige, será uma forma mais "evoluida" de exercer a cidadania. Agora permitam-me também que faça um pequeno desabafo. A culpa do que está mal na política portuguesa não é exclusivamente dos partidos políticos. Os eleitores têm um papel decisivo no que diz respeito à regeneração da classe política e nem sempre o têm feito. Não basta dizer que os políticos são corruptos e não fazer nada para mudar, mesmo quando os partidos mostram vontade de regeneração. Dou 3 exemplos: Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Fátima Felgueiras. Qualquer destes políticos é de carácter altamente duvidoso. Os respectivos partidos retiraram-lhes a confiança política e eles recandidatam-se como independentes. O mais assustador: o eleitorado prepara-se para os reeleger... Dá que pensar...

 
Às 16 agosto, 2005 17:29 , Anonymous Anónimo disse...

Está redondamente enganado, caro Figueiredo. Não ´so seu o que significa "caciquismo", com também já fui uma das suas vítimas. Milito e continuarei a militar. A minha luta é trazer para o partido cada vez mais militantes "a sério" e lentamente ir mudando certas praticas das quais abomino. Por isso, é preciso que cada vez mais mais pessoas militem nos partidos para que as escolhas sejam cada vez melhores. Começa-se nas freguesias, nos concelhos até chegarmos às distritais. Dos novos militantes acredito poder surgir a força da qual brotará a almejada qualidade. Cumprimentos
Contribuinte Líquido

 
Às 16 agosto, 2005 17:32 , Anonymous Anónimo disse...

Cconcordo obviamente com o que disse o Fernando Morgado. É pela participação nos partidos é não só "forma mais "evoluida" de exercer a cidadania", com também é um caminho possível para trazer qualidade à política.
Com os melhores cumprimentos
Contribuinte Líquido

 
Às 16 agosto, 2005 19:29 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Contribuinte Líquido

Trazer mais militantes para o partido é a forma mais primária de fazer "caciquismo".

Todos nós sabemos que na época de eleições internas se fazem a contágem das "espingardas" quem tem mais "espingardas" fica com os melhores lugares.

A isto é que se chama o puro e duro "caciquismo"

Saudações Socialistas

 
Às 16 agosto, 2005 23:53 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Com aquilo que digo no post anterior não quero dizer que seja contra o crescimento do PS, antes pelo contrário, mas de uma maneira metódica e não com a inclusão de militantes à pressão que nada acrescentam ao PS mas só a quem os lá mete.

 
Às 17 agosto, 2005 04:16 , Anonymous Anónimo disse...

Continua enganado, caro Figueiredo; eu disse militantes "a sério" e não de acéfalos. Entendeu agora? É que não serve de nada falar só no café, não acha? Perece-me é que, provavelmente, não entenderá o conceito "a sério". Paciência
Saudações Democráticas

 
Às 17 agosto, 2005 04:17 , Anonymous Anónimo disse...

Quem escreveu acima fui eu, por agora, Contribuinte Líquido.

 
Às 17 agosto, 2005 11:35 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Com o devido respeito, suspeito sempre desse voluntarismo para arranjar militantes, continuo a ser apologista de um crescimento sustentado, ou seja, fazer campanhas de angariação de novos militantes, é mais democrático e os militantes que se inscrevem dessa forma são ?mais militantes? a experiência diz-me que os militantes que entram em catadupas pelas mãos de outros só lá vão para votar e é necessário que alguém lhes pague as cotas.

 
Às 17 agosto, 2005 12:25 , Anonymous Anónimo disse...

O que quero dizer é que a militância deve ser vista pelo Povo Português como um meio, uma forma de melhorar a qualidade da política. É isso que o Povo tem que perceber, pois, caso contrário, os partidos ficarão nas mãos dos caciques que manipulam os chamados "votos acéfalos". Não basta falar, é preciso agir.
Com os melhores cumprimentos
Contribuinte Líquido

 
Às 17 agosto, 2005 20:40 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Parece-me que estamos de acordo em tudo, dizemo-lo é de forma diferente.
É obvio que o povo tem que ter consciência cívica, tem que entender que os partidos são o principal alicerce da democracia, mas para isso é necessário que os partidos mudem por dentro, deixem de ter aquilo a que chama, e muito bem, militantes acéfalos, e o que é que se tem de fazer? mudar a forma como os militantes são recrutados, esta é a principal medida que se tem de tomar, porque, agora falando aqui entre camaradas e que ninguém nos ouve, de caciques todos nós temos um pouco, a diferença é que nós queremos que as coisas mudem e os outros sentem-se bem nesse papel.

Cumprimentos.

 
Às 17 agosto, 2005 23:11 , Blogger Pedro Sá disse...

1. Recuso-me a chamar ACÉFALO a qualquer pessoa.

2. Mesmo que o fossem, os acéfalos também teriam o direito de ser militantes de qualquer partido. É bom que ninguém se esqueça disso.

 
Às 17 agosto, 2005 23:43 , Anonymous Anónimo disse...

Ok, caro Figueiredo: Façamos todos nós a sua parte.
Saudações
PS: acéfalo, é obviamente uma forma de expressão. São aqueles que não pensam pela sua cabeça e que normalmente seguem acriticamente os caciques.
Contribuinte Líquido

 
Às 17 agosto, 2005 23:52 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Caro Contribuinte Líquido

Com toda a certeza que todos compreenderam que o adjéctivo "acéfalo" é aqui utilizado em sentido figurativo e que determina (aqueles que seguem os caciques, fazem o frete, são seguidistas etc. etc.)

 

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