sexta-feira, setembro 26, 2003

SONDAGEM

Hoje no Portugal Diário sai uma sondagem que dá os seguintes resultados:

PS 42,8%
PSD 37,6%
BE 6,2%
CDU 4,9%
CDS 4,1%

Ora, considerando que a mudança no sentido de voto tem sido homogénea em todo o país, decompus essa projecção por círculos eleitorais, tendo chegado aos seguintes números relativamente à composição de uma Assembleia da República saída desses resultados:

PS 115 a 117 Deputados, dependendo da emigração
PSD 94 a 96 Deputados, idem aspas
BE 9 deputados
CDU 6 deputados
PP 4 deputados

Parece estranho o facto de com menos percentagem que nas suas vitórias eleitorais o PS conseguir pelo menos tantos Deputados como em 1999. Mas é simples.

De facto, Paulo Portas tinha toda a razão em 1999 quando dizia que o voto no CDS-PP é que retiraria a maioria absoluta ao PS. De acordo com esta projecção, o PS ganha Deputados ao PP sem que o PSD perca algum em Aveiro, Viseu, Leiria e Santarém, e ganha mais Deputados dos que o PSD perde em Braga, Porto e Setúbal...esclarecedor. O Método de Hondt é mesmo assim.

Restaria então a Ferro Rodrigues 3 opções, em caso de a emigração não lhe conferir a maioria absoluta:

a) Governar em 115/115
b) Coligação com BE, para mais depois da subida eleitoral
c) Coligação com CDU, apesar de uma derrota eleitoral calamitosa, onde perderia o estatuto de segundo partido em Beja (perdendo esse Deputado para o PSD) e deixando de ser o segundo maior partido da esquerda em todo o país, excepto nos distritos do Alentejo e Setúbal.

A primeira hipótese não será de admitir. Já vimos de 1999 a 2002 em que é que dá. E não é possível pensar que qualquer dos partidos da oposição poderia colaborar com o Governo para a aprovação do Orçamento, a não ser que o CDS-PP desse uma tamanha cambalhota após a mais que previsível demissão de Paulo Portas que o fizesse regressar à democracia-cristã.

A segunda hipótese é a que mais se fala por aí, mas que em meu entender é a mais perigosa para o regime democrático. Sejamos honestos: colocar o BE no Governo seria uma manifesta irresponsabilidade, não só pela desconfiança imediata em que ficariam os agentes económicos, como também porque o Governo poderia cair a qualquer momento devido a qualquer razão ideológica. Por exemplo, um eventual envio de tropas em missão de paz para um outro país poderia ser motivo suficiente para o BE fazer cair o Governo.
Isto para além de que se chegar a um acordo com o BE para a elaboração de um programa de Governo é manifestamente impossível.

Restaria, enfim, a possibilidade de acordo com um PCP derrotadíssimo nas eleições. Que, de todas as alternativas, me parece a única capaz de oferecer uma solução política viável.
Quem já trabalhou com o PCP sabe que acordo assinado no papel é para ser cumprido. Não serão certamente fáceis as negociações, mas os comunistas possuem o pragmatismo e a coerência necessárias para não fazer de questões puramente ideológicas cavalo de batalha. Para ter em conta que o acordo de Governo é mais importante que proclamações e utopias. E por aí adiante.
Tal solução só não será possível se após um destes resultados o PCP estiver mesmo a ferro e fogo. Certamente que Carlos Carvalhas não desperdiçará a oportunidade de estar no Governo. É só Ferro Rodrigues ter bom senso.




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