sexta-feira, setembro 26, 2003

O Paulinho das Feiras foi à RTP

Paulo Portas foi ontem conceder uma entrevista à RTP1, com os seus vários chapéus postos: líder do PP, Ministro de Estado e Ministro da Defesa.
Em ternos gerais, é de assinalar a diferença na pose, bastante mais simpático com Judite de Sousa, sem aquele normal ar arrogante e cerrado, que ele julga dar-lhe razão por si só.

Em relação ao conteúdo foi... Paulo Portas.
De tudo o que falou, vou limitar-me às suas considerações sobre a economia e a política económica do Governo.
Eurocalmo, falou como um daquele merceeiros de lápis na orelha, que sabemos que nos está a enganar nos pesos.
Quando compara a administração da economia de um Estado com a economia de uma família, ensaia mais uma vez a rábula do Zé e da Maria, desta vez sem utilizar nomes. Um paternalismo demagógico, descarado, cheio de frases feitas. Como quando aponta a Irlanda e a Espanha , os exemplos a seguir. Então por que não os seguiram? (enquanto o seu «sócio Aznar» baixava os impostos, a Manela Ferreira Leite subia-os em Portugal, originando o «crowding-out» nas receitas fiscais decorrente da contração do consumo, tal como é explicado em qualquer livro de economia).

Paulo Portas, para defender a obsessão do Governo pelo Défice Orçamental, explicou que um país é como uma família, não pode gastar mais do que aquilo que produz. Será que ele acredita mesmo nisto?
Gostava que Paulo Portas explicasse então a situação macroeconómica da maior potência económica mundial, os Estados Unidos da América:

Saldo da Balança Comercial negativo = -40,3 bilhões de dólares (agosto 2003)
Saldo da Balança de Transacções Correntes negativo = -4,8%PIB
Estimativa da Dívida Externa norte-americana em 2002 5% PIB
Défice do Orçamento de Estado = 157,8 bilhões de dólares em 2002, com previsões de um aumento em 2003 para cerca de 400 bilhões de dólares, equivalentes a 4,2% do PIB
Taxa de crescimento do PIB +3,1% (2º trimestre de 2003)

Segundo Paulo Portas, estes americanos não percebem nada de economia! Têm a maior dívida externa do mundo, as Balanças Comercial e de Transacções Correntes desequilibradas, e um défice orçamental a caminho dos 4,2% do PIB. Contudo, a economia continua a crescer!

Quanto ao resto, para além de ser um problema de Durão Barroso, talvez não seja de admirar que apareça um www.pauloportas.blogspot.com só para comentar os disparates e as contradições de Paulo Portas, que fala com a convicção de Mohammed Saeed al-Sahaf, e a lata de George W. Bush.

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