segunda-feira, junho 18, 2007

Patético

Lendo este post de Ana Gomes e seguindo os links para a carta que enviou ao CEME tenho a fazer os seguintes comentários:

1. Dá por adquirido que algo se passou (claro, porque foi uma mulher a queixar-se numa instituição que actualmente é predominantemente masculina), sem prejuízo de a denúncia ter sido um acto correcto, tendo em conta a existência de indícios.

2. Dá por adquirido que, a ter-se passado algo, foi algo de machista, quando nada nos garante que não tenha sido o mesmo tipo de praxe que todos ali recebam. E das duas uma: ou se critica a coisa em si e se criticam as praxes militares, ou não se critica coisa nenhuma.

3. O pior mesmo é a tal carta, infestada de declarações sexistas tais como:

- "o imperativo de aumentar a presença de mulheres nas forças armadas ancora numa questão de princípio e numa questão de eficácia"...como se a eficácia de qualquer militar não fosse independente do sexo...até dou de barato a questão de princípio;

- "é cada vez mais reconhecida a importância da presença de mulheres em forças expedicionárias que actuem num contexto de peace-keeping/peace-enforcement onde a componente de contacto/confiança com a população local é decisiva"...claro, claro...a guerra é dos homens e a paz das mulheres não é ? E por que raio de razão faz diferença o género para a componente de contacto/confiança ? Só em certas cabeças, de facto...

- creches em estabelecimentos militares ? Mas o que é que os militares são mais que os outros funcionários do Estado para terem direito a isso ? Isto para não falar que, em mente supostamente tão progressista, cai a nódoa com a maior das facilidades: acha que as questões de filhos são problema da mãe e não do pai. Ah, pois é, eu esqueço-me que há uns tempos fiquei escandalizado quando ouvi da boca de uma PSICÓLOGA com menos de 40 anos que "os filhos são só da mãe". Assim se descobre a monumental hipocrisia desta gente, com os seus claríssimos objectivos de domínio de género. Pena que muitos homens estejam cheios de ridículos complexos de culpa.

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