sexta-feira, setembro 09, 2005

Mau exemplo

Alberto Souto, aliás um excelente Presidente da Câmara de Aveiro, meteu a pata na poça, a exemplo de, arrisco-me a dizê-lo, todos os seus congéneres.

Basta ler este post para o percebermos.

De facto, é manifestamente irrelevante para o interesse público qual a oferta de cinema numa determinada cidade. E quanto à lógica de "criar públicos"...já repararam que é sempre para o alternativo e intelectual ? O que é que o Estado tem a ver com isso ?

7 Comentários:

Às 09 setembro, 2005 16:28 , Anonymous Anónimo disse...

Pedro,

O cineclube de Aveiro, desenvolve um trabalho muito meritório em colaboração com diferentes associações da cidade (a titulo de exmplo com a própria associação académica, que através de um protocolo realizam projecção de cinema nas residências universitárias).

A revitalização ou não do cinema OITA não me parece desajustada, do ponto de vista do interesse do próprio cineclube.
Acontece que nos últimos anos abriram 14 salas de cinema em aveiro, renegando cinemas antigos como eram o OITA e o 2002.

Não conheço ao pormenor a contratualização entre a camâra e o cineclube, no entanto e face a tantos apoios que as autarquiaspropiciam a milhares de associações parece-me meritório que propicie esse apoio também a um cineclube e impede a morte de um cinema carismático na cidade de Aveiro.

 
Às 09 setembro, 2005 16:42 , Blogger CMC disse...

Caro Pedro,
Para ti só devia de haver cinemas nos Colombos e Vascos da Gama?

 
Às 09 setembro, 2005 16:48 , Blogger Pedro Sá disse...

1. Obviamente, a existência ou não de um cineclube tem de passar pela sua própria auto-suficiência. Ponto.

2. É-me totalmente irrelevante onde é que há cinemas. Aliás, existir cinema ou não não é assunto do interesse público, mas sim de interesses privados.

3. Eu queria ver se alguém diria que o trabalho desse cineclube é meritório se passasse algo que não fosse intelectualóide ou afim.

4. Quanto à revitalização do Oita, supostamente não é um espaço privado ? E não o sendo, que sentido faz entidades públicas deterem salas de espectáculos ?

 
Às 12 setembro, 2005 23:18 , Anonymous Anónimo disse...

Seguindo esta lógica devia também exigir-se o encerramento da Cinemateca Nacional e dos Museus Nacionais, uma vez que as receitas geradas são insuficientes para suportar as despesas. Ainda por cima só servem Lisboa.

E o S. Carlos e S. Luiz era já a seguir.

Faz tanto sentido as entidades públicas terem teatros e cinemas como ter escolas.

José Manuel

 
Às 13 setembro, 2005 08:24 , Blogger Pedro Sá disse...

Nunca ninguém me ouviu defender o encerramento dos Museus Nacionais. Quanto à Cinemateca, apenas terá interesse em termos de arquivo.

Obviamente, a exploração dos teatros S. Carlos e S. Luiz deveria ser concessionada a privados. Aliás, esse já é o caso do S. Luiz.

E não queira comparar teatros e cinemas a escolas sff.

 
Às 13 setembro, 2005 11:38 , Anonymous Anónimo disse...

A comparação baseia-se em que o acesso à fruição de bens culturais (como a música, o teatro ou o cinema) deve fazer parte da educação dum individuo a par com o currículo escolar. E que esse acesso deve ser proporcionado ao maior número possível de pessoas. Senão a escola seria apenas um local de aprender a ler, escrever e contar completamente desfasado da ciência, arte e da cultura.

É por isso fundamental haver em todo o território nacional redes de equipamentos culturais deste tipo. Eu não consigo perceber como será possível estudar no Secundário autores como Garrett ou Gil Vicente sem nunca ver uma representação das suas peças.

A questão da gestão destes espaços é mais vasta e complexa. Será possível em Lisboa geri-los com recurso a concessões e outras modelos. Mas provavelmente não haverá meios para isso em Aveiro ou em Viseu. As autarquias podem e devem suprir essa necessidade, uma vez que também é uma frma de qualificar os recursos humanos existentes na sua região. Agora o que é absurdo é concentrar em Lisboa estes equipamentos condenando o resto do país ao obscurantismo.

José Manuel

 
Às 13 setembro, 2005 12:52 , Blogger Pedro Sá disse...

Problema nº 1: porque é que os bens culturais hão-de ser música, teatro e cinema (e, normalmente, certos tipos de música, teatro e cinema, ainda por cima) e não outra coisa qualquer ?
O que leva para a inacreditável e permanente definição do que é cultura.

Problema nº 2: O problema é a obrigatoriedade do estudo de autores. Cada um deve ler aquilo que lhe interessa, ponto. E importante é que as pessoas saibam ler e escrever correctamente português.
E estou perfeitamente à vontade para falar, pois o estudo da literatura era, pelo menos para mim, bem mais interessante que as enormes secas do 7º e 8º anos...

Problema nº 3: Uma coisa é existirem auditórios municipais. Outra coisa é o Estado gastar dinheiro intrometendo-se indevidamente na espontaneidade do desenvolvimento cultural.

 

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