sábado, janeiro 31, 2004

Quem Será o Pai de Rui Teixeira Santos?

Leio o «Semanário» por ser um jornal assumidamente de Direita.
Não pretende nem quer disfarçar.
Diz claramente o que a Direita pensa, e que muitos tentam dissimuladamente, implicitamente, disfarçadamente, prudentemente, passar noutros jornais.

Mário Soares, na «Visão» de 29 de Janeiro, afirmou que Portugal está a viver a crise «mais profunda e complexa que enfrentou desde o 25 de Abril», que para além de financeira e económica, entra pelo domínio da «moralidade, que se reflecte na incoerência e impunidade dos comportamentos, públicos e privados», e na «desorientação geral das chamadas elites».

Esta crise corrosiva que desgasta os principais pilares da nossa Democracia, pode não ser um mero acaso, «.quando de algumas cadeiras do Poder se insinua um saudosismo passadista evocativo do colonialismo e dos «bons tempos» da Velha Senhora».

No final, apela ao imperativo nacional de reagir, nomeadamente através de rupturas:
«As grandes confrontações cívicas ganham-se propondo as rupturas que se impõem e não com a ambiguidade de consensos equívocos. Foi a experiência tão rica do 25 de Abril que assim nos ensinou. Estou bem colocado para o lembrar

Eis no dia seguinte a resposta de Rui Teixeira Santos a apontar «A Responsabilidade do Dr. Mário Soares», no seu Editorial do «Semanário».
Naquele tom saudosista característico dos inimigos figadais de Mário Soares, RTS expuma todo o rancor que lhe vai na alma, não fosse a nossa Democracia de hoje «o resultado do regime que [Soares] patrocinou e a que chama II República».

Diz que, «o diagnóstico não poderia ser mais acertado: falta projecto, é a constatação espantosa de quem, desde o primeiro dia do 25 de Abril, foi responsável pela desordem a que chegámos e pela classe política impreparada e corrupta, que cresceu á sua sombra tutelar, como uma clientela que ele alimentou à custa do Estado».

Nesta «República Abrilista», «ele, Soares, representa isso mesmo: o negocismo, o compadrio, as leis só para alguns, as vírgulas, a dependência, a falta de transparência, o pragmatismo tacticista e outras memórias das forças do progresso, a que Soares volta a apelar, mas em que o País não se revê, de tão maçónicas que são».

A sua conclusão não deixa margem para dúvidas:
«Trinta anos depois do 25 de Abril, a Pátria continua a precisar de um Pai. E não é o Dr. Soares».

Para além de todas as considerações que, por tão óbvias, me abstenho de fazer, há duas coisas que julgo relevantes:

Ter a oportunidade ler esta Direita que Rui Teixeira Santos representa, neste formato tão claro, directo e desabrido, só é possível na lamentável «República Abrilista» do Dr. Soares.

Não comprem o «Semanário», para que este senhor não ganhe dinheiro com os seus desvarios. Eu próprio vou tentar ver se o começo a pedir emprestado para o ler.

O meu «problema» é que, aparentemente, ninguém compra mesmo este jornal.

2 Comentários:

Às 22 janeiro, 2009 12:26 , Anonymous Claudia disse...

Achei por bem e depois de ler, este documento, manifestar a minha mera opnião,...
Não sei quem foi o sr4 que escreveu, este "conta", mas pergunto eu, será que não vivemos num pais que podemos manifestar as nossas opniões?! Pois bem, parece-me que não, independentemente de concordar,ou não com o Dr.Teixeira Santos, a verdade é que este qualquer que seja asua ideia, a manifesta e argumenta muito bem!!!
Aproveito para fazer um apelo!!! NÃO DEIXEM QUE ESTE JORNAL ACABE!!!Andamos com muitos jornais, mas pouca qualidade, se queremos saber o estado em que nos encontramos, não ha melhor que este, se quisermos ler as fofocas das nossas estrelas, compramos outros!!!

 
Às 26 setembro, 2009 22:18 , Anonymous Anónimo disse...

I have to apologize but my portuguese isn´t good enough for a comment on this issue.
I have loved Portugal since the first day I arrived in the early nineties. I have always wondered how such a beatiful and resouceful country could be run so badly. Knowing Italy I could tell you that country works in spite of their politicians (who, by the way don´t interfere in the economy or lifes of italians) But Portugal is different, I´m afraid something like 60% of the GBP (Gross Brain Productivity) of the portuguese is employed in avoiding the collapse of Portugal and the Portuguese because of their government!
Portuguese run the Swiss hotelerie, most of africa´s oil and finances, they run I&D for Airbus or OPEL but they just have to run from their country, for nothing is possible in Portugal without the government or the unhloy ghosts of corruption.
RTS is right, Portugal needs a different father, a new Dom Henrique, a new Dom Manuel, or lacking that, a new left, further away of a stalinist glory which never was and a new right far beyond the empire which was once.
RTS may or might not be the new right, but at least he points out the "OLD" left which is as nefarious to Portugal as Salazar was.

 

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