quarta-feira, outubro 22, 2003

Consumo e Consumismo (I)

«Quem pode estranhar que durante dois anos um País inteiro, sabendo-o, viva acima das suas posses se é esse (sobretudo nas cidades, como em Lisboa, em que a regra do parecer é imperativa) o padrão, tirado a milhares de exemplares, e o estilo de vida, dos particulares?»

Esta pergunta era formulada por Eduardo Lourenço, há já mais de vinte anos, num dos seus brilhantes ensaios, intitulado significativamente «Somos um Povo de Pobres com Mentalidade de Ricos».

Confunde-se muitas vezes dois conceitos que, apesar de estarem obviamente relacionados, são distintos: Consumo e Consumismo.

O Episcopado, na sua enumeração dos «pecados» da sociedade portuguesa, referia-se a este último como:
«O consumismo, fruto de um modelo de desenvolvimento, fomentado pelos próprios mecanismos da economia, que gera clivagens entre ricos e pobres e gera insensibilidade a valores espirituais»

O Consumo é, por seu turno, uma variável macro-económica quantificável, que agrega a despesa realizada pelos particulares. O total desta despesa engloba tanto a aquisição dos bens de primeira necessidade, como todos os outros, que a taxa de IVA vai progressivamente onerando.

Um dos sinais mais notórios que mostram o desfasamento entre estes dois conceitos consiste em verificar a retracção desta variável económica nos últimos dois anos, mas paradoxalmente, a proliferação de grandes áreas comerciais à volta de Lisboa e do Porto. O «El Corte Inglês» em Vila Nova de Gaia é o mais recente exemplo.

Ou seja, quando se afirma por exemplo que nós consumimos mais do que produzimos, estaremos a falar de consumismo ou de Consumo?

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