The Day After - Cavaco Silva

Tal como vinha a ser anunciado aos portugueses há mais de um ano pelos jornais, rádios e televisões, Cavaco Silva foi eleito, no passado domingo, Presidente da República.
Não foi o tal 'passeio pela avenida' pretendido, mas Cavaco Silva venceu logo à primeira volta, com 50,6% dos votos.
É uma vitória suficientemente clara.
Em relação ao resto, já quase tudo foi escrito e dito.
Que Cavaco preparou durante 10 anos estas eleições.
Que bastou a Cavaco ir aguentando calmamente a campanha eleitoral (até porque, a Cavaco, os anos já pesam).
Que muita gente (à esquerda e à direita) continua a dormir tão bem depois das eleições como já dormia antes.
Acrescento apenas uns números.
Em 1986 Cavaco Silva perdeu as eleições para Jorge Sampaio com 2 595 131 dos 5 762 978 votos válidos. Agora, vence com 2 745 551 dos 5 529 289.
Ou seja, Cavaco obtém mais 150 420 do que há dez anos atrás (60mil dos quais garantiram-lhe a vitória na 1ª volta).
Por outro lado, votaram menos 233 689 pessoas (60mil das quais garantiram-lhe a vitória na 1ª volta).
E, já agora, um pequeno comentário.
Nestes dez anos, para além de aprender a sorrir e a falar com os jornalistas, de escrever um ou dois artigos de opinião (essencialmente para marcar espaço na sua área política), Cavaco poderia ter trabalhado a sua faceta presidencial.
Podia ter desempenhado funções internacionais, ter exemplos de intervenção cívica, ter dado a conhecer as suas posições sobre os grandes problemas do País e do mundo.
Podia ter compreendido que as críticas, as divergências, o contraditório, a própria retórica fazem parte do político que há em todos nós (nem que seja para discutir futebol).
Cavaco, como bom tecnocrata, preparou o melhor modelo para a sua candidatura e optimizou a sua campanha.
Estudou o estilo de Eanes, Soares e Sampaio para refazer a sua pose.
Sondou quais as palavras-chave consideradas 'presidenciáveis' pelos portugueses.
Enfim, fez o seu trabalho de casa.
Resta-nos esperar que Cavaco Silva faça um mandato à semelhança da sua campanha eleitoral, ou seja, calado e sem exprimir qualquer opinião.
Assim, todos poderemos dormir descansados.

14 Comentários:
Foi sim um passeio pela avenida! o adversario mais proximo teve menos de metade dos votos...se isto para si não é um passeio então o que será.
A estratégia seguida foi demolidora. Os portugueses confiam que tem esta capacidade está melhor preparado para os ajudar a sair do buraco.
Os artigos publicados marcaram a agenda de Portugal e a nossa agenda é fundamentalmente sobre assuntos internos. Os outros candidatos estiveram sempre activos, mas você dificilmente recordará alguma posição tomada por eles durante estes 10 anos que tenha tido metade do impacto das parcas (em número) intervenções do Prof. Cavaco Silva.
Por um passeio destes com umas décimas a menos, ficou o Freitas a ver navios, perante um desses adversários com menos de metade dos votos na 1ª volta...
Os artigos de Cavaco marcaram apenas a agenda da direita e do PSD!
E só me recordo de 2:
O do 'Monstro', onde Cavaco tem as responsabilidades que se conhecem;
O da 'boa e má moeda', que apenas serviu para enterrar Santana Lopes.
Mas é natural que a direita se lembre melhor do professor.
Nomeadamente nas poucas vezes que lembrou que estava vivo...
Keep dreaming...
MG, tem razão em relação ao Freitas, mas digo-lhe que as décimas fizeram a diferença na qualidade do passeio.
Admito que você até pode ter razão sobre o impacto ter sido apenas na direita. Apenas me recordo também desses dois marcantes artigos. Faça-me o favor de me trazer à memória, para me provar que posso estar errado, algum artigo ou intervenção de Mario Soares (por ser o mais mediático) cujo conteúdo tenha tido impacto semelhante. Isto, porque me recordo que Mario Soares escreveu muitos artigos para os jornais (para não falar de outro tipo de intervençoes).
Para falar dos mais mediáticos, Mário Soares Manteve uma coluna de opinião no jornal «Expresso» e revista Visão, e um programa mensal na SICn.
E muitos foram aqueles que atacaram Soares pelas opiniões que manifestou durante os últimos dez anos...
certo, mas diga-me uma (em que tenha sido inovador), só uma!
Gostava muito daquelas "como disse o Jean Jenessequoi no Liberation..." que deve ser um estagiário de jornalismo qualquer francês e que não imagina estar a ser citado por um ex-PR, "a conduta política da esquerda pós existencialista...".
Por isso, Reis Soares, não pode dizer que ele não seja original. Ou, pelo menos, inventor....
Cá temos o «Expresso» e outros pasquins de cá da nossa terra, cheios de estagiários de jornalismo (e de políticos falhados).
Ao contrário do próximo PR (sim, q ainda falta pouco mais de um mês), Soares lê todos os dias jornais portugueses e estrangeiros (imagine-se o descaramento!!!).
(O Tonibler acaba de dar mais um exemplo de anti-soarismo pavloviano. Na defesa da minha 'tese', obrigado.)
Reis Soares,
Pressuponho na sua questão que Cavaco foi 'inovador' nos dois artigos que referiu.
Aliás, de inovador só teve o facto de exprimir uma opinião (neste caso duas, em dez anos).
O que lhe digo, é que das duas vezes que o fez (sendo justo diriamos três porque a intervenção que fez a propósito de Guterres também teve um impacto significativo) causou um impacto nacional, marcou a agenda e trouxe assuntos importantes para a discussão, deixando clara a sua opinião sobre eles. Das dezenas de artigos e intervenções de Soares nem eu nem você recordamos alguma.
O que lhe digo, é que das duas vezes que o fez (sendo justo diriamos três porque a intervenção que fez a propósito de Guterres também teve um impacto significativo) causou um impacto nacional, marcou a agenda e trouxe assuntos importantes para a discussão, deixando clara a sua opinião sobre eles. Das dezenas de artigos e intervenções de Soares nem eu nem você recordamos alguma.
Garcia,
Soares lê todos os dias os jornais estrangeiros? E os portugueses? Muito bem, por isso é que ele é versado na dinâmica da cidadania global e outras coisas cheias de utilidade quando escritas em papel macio e em tinta que não suja o cú...
Já agora, quando é que ele vai passar à fase em que percebe o que lê?
Tonibler,
Mais um exemplo de anti-soarismo pavloviano...
Garcia,
São meras opiniões decorrentes daquilo que o sujeito mostra.
Enviar um comentário
Subscrever Enviar comentários [Atom]
<< Página inicial