quinta-feira, novembro 13, 2008

Pois é

No Jumento:

Não fiquei nada surpreendido com o comportamento dos meninos de Fafe nem com a reacção colectiva de condenação um dia depois, quando no momento em que os factos sucederam ninguém parece ter ficado muito indignado, nem deve ter faltado por esse país quem sorrido perante a situação e feliz pela mobilização dos pirralhos.

Não fiquei surpreendido porque uns dias antes, um dois oficiais que tiveram os mais altos cargos nas chefias militares sugeriram ao país que quando as pessoas se manifestam podem levar o que têm à mão, no caso dos militares são as armas que estão às mãos de semear. Ora, o que os meninos de Fafe fizeram não foi outra coisa senão o que sugeriram os militares, não tinham armas mas alguns deveriam ter umas galinhas poedeiras e a ministra da Educação, para gáudio geral, levou com ovos.

Se não tivessem aprendido com os generais poderiam ter seguido o exemplo do professor do CC do PCP que é líder da Fenprof, durante muitos meses o seu passatempo de fim-de-semana foi fazer esperas a Sócrates, ele e mais alguns professores exemplares, daqueles que todos gostaríamos de ver a ensinar os nossos filhos, deram a conhecer ao país um dicionário de calão político. Se não tivessem aprendido nem com os generais, nem com o distinto alto responsável do PCP ainda poderiam ter frequentado um dos cursos de desobediência civil.

De resto, num país em que todas as regiões oferecem doces regionais à base de ovos é perfeitamente natura que os meninos de Fafe tivessem mimoseado a professora com ovos. Ao contrário da outra calmeirona que agrediu uma professora para recuperar o seu telemóvel, os meninos de Fafe foram heróis durante vinte e quatro horas, foram-no enquanto as dúvidas sobre as motivações e a espontaneidade da brilhante acção de galinharia urbana.

Quando a calmeirona agrediu a professora o país parou para reflectir, o tema da moda foi a indisciplina, a falta de espontaneidade e a violência nas escolas. Quando a ministra foi agredida verbalmente e se arriscou a transformar a cabeça num preparado de ovos-moles, tudo isso perante a alegria colectiva fez-se silêncio, não há nada a reflectir. No dia seguinte os pais e os professores repudiaram o acto e assunto encerrado.

Um dia destes outros manifestantes poderão seguir a sugestão dos militares e seguir o exemplo dos nossos alunos, que não querem ser penalizados por faltarem às aulas. Espero não ter de me cruzar com um manifestação de calceteiros, corro o risco de levar com um paralelepípedo de granito, e nem quero imaginar o que poderá suceder no dia em que o pessoal da recolha de lixo se manifestar, arrisco-me a apanhar com um saco do Pingo Doce cheio de restos de cozido à portuguesa.

É assim a nossa democracia representativa, cada um manifesta-se como quer e atira o que tem à mão.



Subscrevo inteiramente. Sem esquecer que isto tem tudo dedo político por trás. Se os professores, que aliás não têm razão nenhuma, andam a ser descaradamente utilizados pelo seu sindicato como arma de arremesso pelo PCP para substituir Carvalho da Silva por Mário Nogueira à frente da CGTP, aqui isto é demasiado malcriado para ser PCP. Isto tem notoriamente o dedo do BE.

5 Comentários:

Às 13 novembro, 2008 23:26 , Blogger Elisiário Figueiredo disse...

Ué cara você é demais (dito com sotaque brasileiro)

Onde você foi buscar essa brilhante ideia???? olhe que eu conheço uma psicóloga que leva baratinho e é muito boa (profissionalmente é claro, explique-me lá essa teoria, é que eu não tou a ver.

 
Às 14 novembro, 2008 09:34 , Blogger Freddy disse...

"Se os professores, que aliás não têm razão nenhuma," é dito aqui...

Desculpa, isto é ironia ou não vives mesmo aqui, no Planeta Reebok?

 
Às 14 novembro, 2008 19:53 , Blogger Pedro Sá disse...

Posteriormente farei um post a explicar tudo. Mas tudo isto tem por base as guerras PCP/BE. Notoriamente.

 
Às 16 novembro, 2008 08:36 , Anonymous JOsé Manuel disse...

É ridiculo como se pretende personalizar isto no Mário Nogueira/FENPROF., esquecendo que no movimento estão activamente envolvidos os sindicatos da UGT (a FNE), os sindicatos independentes (SINDEP e outros), as associações para-sindicais (Associação Professores Licenciados e outras) e ainda novos movimentos independentes dos anteriores. Nunca houve tanta unanimidade e transversalidade entre os professores.

 
Às 16 novembro, 2008 11:28 , Blogger Elisiário Figueiredo disse...

José Manuel

Diga-me: Como isso é possível?

Num pais onde o movimento sindical está tão dividido entre os UGTs e os INTERSINDICAIs, esta leitura já devia ter sido feita pelo governo.

 

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