quarta-feira, junho 04, 2008

Desprazeres da vida

Após ter tido conhecimento do patético discurso que Manuel Alegre ontem efectuou, deixo a propósito do mesmo as seguintes considerações:

1. A existência de mais ou menos desemprego evidentemente não é da responsabilidade de qualquer Governo. Pensar que o é acaba em última análise por redundar na passagem de um atestado de estupidez às empresas. Ah, pois é, quem diz isto são os mesmos que defendem que as pessoas nunca têm culpa de nada e a culpa é sempre de nebulosos terceiros...a lógica é a mesma. Todos são estúpidos e manipulados. O que tem como contraponto quem o diz se considerar sempre, mas sempre, iluminado.

2. É evidente que existem contratos a termo e que devem existir. Havia de ser o bom e o bonito se não existissem, então para quem procurasse o primeiro emprego seria absolutamente dramático. O que pode e deve ser discutido é, mediante a situação concreta, o limite máximo de tempo. Claro que o problema por trás disso é a tristemente ainda dominante ideia de "um emprego para toda a vida".

3. Esvaziamento de direitos públicos ? Curioso. Dou voltas à cabeça e não consigo imaginar sequer de quais. Não é certamente por acaso que quem vem com essa conversa nunca concretiza o que diz.

4. Ah claro sempre a desculpa dos pobrezinhos. Até parece o Salazar. Uma política que coloque os pobres em primeiro lugar só leva à pobreza, ou ainda não perceberam ? O Estado apenas se deve preocupar com desigualdades materiais entre as pessoas na medida em que isso possa afectar o exercício de direitos. O que, em Portugal, já é coisa extremamente reduzida.

5. Já o disse e repito. A expressão "distribuição da riqueza" tresanda a roubo e a penalização de quem mais tem como se isso fosse algo de ilegítimo.

6. E já cá faltava a conversa das interrogações. Sempre os mesmos líricos, os mesmos românticos, os mesmos sonhadores com utopias irrealizáveis e anti-natureza humana. Sempre os mesmos parasitas. Sempre os mesmos que querem que os objectivos de vida das pessoas sejam postos de lado em nome das expressões culturais que lhes agradam. Sempre a mesma conversa da interrogação, da dúvida, de um ser contra militante de quem complexadamente considera que ter certezas é ser de direita. De quem complexadamente considera que actuar determinadamente é ser de direita. De quem, por consequência, se considera na prática inferior em termos governativos face à direita.

Lixo. Lixo ideológico. Lixo político. Não pode ter outro nome quem acha que é mais importante estar de bandeira na mão a gritar meia dúzia de chavões do que resolver, dinamizar e desenvolver.

2 Comentários:

Às 04 junho, 2008 13:57 , Anonymous Anónimo disse...

concordo plenamente

 
Às 20 junho, 2008 00:27 , Anonymous Anónimo disse...

Eu não

 

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