sexta-feira, agosto 24, 2007

As pessoas mais preconceituosas do mundo - artigo da VISÃO

Os veganossexuais
Para eles, o sex appeal também passa pelo conteúdo do frigorífico do parceiro e pela forma como encara os direitos dos animais

Rita Silva e Miguel Moutinho, activistas da Associação Animal, ambos de 26 anos, são o exemplo de que, afinal, os opostos não se atraem. O casal vive em união de facto, livre do uso de qualquer produto que implique a morte ou o sofrimento de animais. São veganos e, para os dois, a hipótese de ter como parceiro alguém que coma carne está fora de questão. Chama-lhes, agora, veganossexuais.

Este estilo de vida até pode implicar o afastamento social de quem não partilhe da mesma visão.«São mundos inconciliáveis e é natural que pessoas com princípios incompatíveis se separem», explica Miguel. Rita fala numa espécie de «selecção natural no círculo de amigos.»

Nas relações amorosas, essa realidade ainda é mais flagrante. Rita esclarece que «é inconcebível partilhar casa com um carnívoro, quanto mais namorar ou casar.» A activista vai mais longe: «É nojenta a ideia de beijar alguém que esteve a degustar alegremente um animal morto. Seria pactuar com algo altamente imoral».

Miguel é vegano há nove anos, mas já se preocupava com a conservação da natureza antes de se converter. Agora tem uma vida «ecológica e economicamente mais correcta». Explica que «foi uma questão de valores fundamentais» que o motivou, e a opção trouxe-lhe «o bónus das vantagens para a saúde».

Já Rita tornou-se vegana há três anos, altura em que começou a namorar com Miguel. Mas ele sublinha que «ela converteu-se de moto-próprio - já tinha uma sensibilidade especial».

Miguel não se considera um radical. Esse selo vem da reacção - dos alvos da sua luta. Diz que, «historicamente, todos os progressistas foram catalogados como extremistas». E que não se vê a «defender princípios moderadamente».

A SELECÇÃO DA ESPÉCIE


Para José Palma, 49 anos, professor de Psicologia da Universidade de Lisboa, as motivações dos veganossexuais são óbvias. «É um filtro amoroso criado por uma dinâmica de grupo, e por uma forte identidade baseada em valores.»

Trocado por miúdos, é natural que os casais se formem entre pessoas que se identificam umas com as outras. Sobre a «selecção natural» do círculo de amigos, José Palma considera-a uma «forma normal de consistência interna que reforça os grupos minoritários».

Miguel Moutinho argumenta que «quem tem uma sensibilidade especial pelos animais é um potencial vegano». Ou seja - há que alargar o amor que temos pelo nosso bichinho de estimação a todo o reino animal...

O que é um vegano?


Para começar, está longe do vegetariano. Vai muito além do que não se come. Carne e derivados da bicharada estão fora de questão. O vegano é alguém com um sistema de valores intransigente no que toca a não usar animais como recurso. Portanto, também é impensável, por exemplo, vestir um casaco de cabedal, assim como utilizar uma almofada de penas ou um cosmético testado em animais. O veganismo é uma filosofia que busca a harmonia com a natureza, acirradamente contra o aprisionamento, morte ou outra situação que implique o sofrimento dos bichos.

por João Luz

Visão

Traduzindo para português: mais facilmente o Hitler iria para a cama com uma mulher judia do que qualquer um destes fanáticos preconceituosos com qualquer não vegan.

6 Comentários:

Às 26 agosto, 2007 15:52 , Blogger pedro oliveira disse...

Partindo do princípio que Hitler gostava de comer carne, claro.

 
Às 26 agosto, 2007 20:05 , Blogger Zen disse...

Isto não só é preconceito, como é uma prova de que há cada vez mais FROUXOS no mundo!!

 
Às 26 agosto, 2007 20:06 , Blogger Zen disse...

Zen = Ivan César.

 
Às 27 agosto, 2007 15:50 , Blogger Tonibler disse...

Se a gaja tivesse um homem a sério deixava-se de patetices

 
Às 04 setembro, 2007 21:48 , Blogger Gaspar LDVS disse...

não é por acaso que Hitler foi o primeiro (chefe de estado) a fazer leis de proteção dos direitos dos animais.
é porque desvaloriza o homem, mediante o não reconhecimento da sua condição de fim em si mesmo, aplicando antes uma moral utilitária baseada em dogmas cujas formulações abstractas são as que visam conseguir poder ("triunfo da vontade" - vontade de poder/força/superioridade). Segundo estas bem se pode valorizar mais um tigre ou um cão que um humano...

 
Às 31 dezembro, 2010 01:25 , Anonymous Vera disse...

É o seguinte:

Os veganos/vegans são pessoas que valorizam todos os animais, e se vocês acharem que com "animais", os humanos não estão incluidos, é porque são ignorantes e acreditam naquilo que querem.

Uma pessoa que é vegan, dá valor à vida e procura fazer o bem, por animais humanos e por animais não humanos. Ou seja, é totalmente contra a tortura e matança de humanos, como é contra a tortura e matança de outros animais. Deste modo, assim como não compraria carne de humano (dando dinheiro a essa indústria), não compra carne de qualquer outro animal.

A partir do momento em que sabemos que estamos a pagar pela carne de animais que são sistemáticamente mortos dolorosa e lentamente, demasiado jovens, sob-alimentados com rações baratas, sob-medicados, em condições de vida miseráveis, quem é a pessoa que quer continuar a dar dinheiro a uma indústria que mata e tortura? Ninguem minimamente sensível ao sofrimento dos outros.

E é claro que uma pessoa não se sente bem a beijar ou a fazer sexo com alguém que cheire a queijo ou carne putrefacta, e principalmente, que saiba do sofrimento causado aos animais, e mesmo assim continue a pagar para que estes sofram. Além das discussões que uma relação assim provocaria.

Uma pessoa que procura fazer o bem, normalmente, não se quer envolver com uma que faz o oposto. Assim como uma pessoa que luta contra os abusos sexuais a crianças não se vai casar com um pedofilo; uma feminista não se vai submeter às ordens de um homem machista; um policia não se vai relacionar com um violador assumido. É uma questão de ética.

E há lugares onde é legal e comum a violação sexual, onde as mulheres não têm direitos, onde as crianças podem ser molestadas, é tudo uma questão de perspectiva, mas o sofrimento está lá independentemente do país.

Portanto, onde está o preconceito exactamente?

 

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