quarta-feira, abril 26, 2006

25 de Abril

José Bourbon Ribeiro:

É inacreditável que diga que o 25 de Abril foi feito com maldade, quando TODA a gente sabe que o objectivo dos capitães de Abril era derrubar um regime autoritário e profundamente cretino, bem como colocar um fim à guerra colonial. Onde é que nisto pode haver maldade é coisa que eu gostava de saber.

Qualificar a Constituição como marxista é um disparate. Nenhum professor de Direito defende isso, e os únicos que o defendiam (e para o texto de 1976) eram Marcello Caetano e Soares Martínez, como se sabe figuras insuspeitíssimas.

Não gosto de nacionalizações. Não gosto de ocupação de casas. Mas daí a chamar-lhes ladroagem vai uma distância abissal.

PS - Isto agora de uns países poderem ter armas nucleares e outros não é um absurdo inimaginável.

Rui Albuquerque:

1. Entre Abril e Maio de 1974 foi instaurado em Portugal um regime democrático, consagrado definitivamente pela Constituição de 1976.

2. Mas quem é que foi afastado em sequência do 28 de Setembro ? Não me lembro de ninguém. E, aliás, se isso tivesse acontecido podíamos "agradecer" à estupidez natural de Spínola e aos reaccionários que queriam restaurar a ditadura.

3. Até parece que, a ter sido verdade que houve uma entrega dos territórios africanos a representantes da URSS, isso é um drama. Principalmente para nós portugueses.

4. Destruir empresas ? As empresas passam a vida em criação, renovação e destruição. E muitas mais que as supostamente destruídas continuaram a existir.
Mas também, o que esperava tendo em conta a ligação íntima entre as grandes empresas e o regime deposto, maxime via condicionamento industrial ?

5. Pensar que a seguir a uma revolução não existiriam saneamentos é de uma ingenuidade pavorosa.

6. Mandar os fascistas para o Campo Pequeno foi apenas mais uma das declarações anedóticas de Otelo. Pura e simplesmente não se lhe dá importância. Sem prejuízo de o ter dito com um "antes que eles nos ponham lá a nós".
Nada de estranho. Após uma mudança de regime há sempre o receio da contra-revolução.

7. Freitas do Amaral demonstra, e com razão, que a defesa intransigente de um império colonial é obra da Primeira República, na sequência da reacção ao ultimato britânico.
Relativamente ao qual, diga-se, o rei D. Carlos teve o que mereceu só que com 18 anos de atraso, porque quem se sujeita a ultimatos é no mínimo dos mínimos o pior dos cobardes.

8. Um dos grandes responsáveis pelo desenrolar pacífico e pela forma feliz como todo o PREC terminou foi Costa Gomes. Com uma ampla visão das coisas e extrema serenidade.

9. Não desculpo Marcello Caetano. Se ler as memórias de Freitas do Amaral, o mesmo ter-lhe-á dito explicitamente que concederia de imediato a independência a Angola e a Moçambique se a comunidade internacional aceitasse a instauração de regimes de tipo rodesiano.

10. Talvez a única vez que concordei com Portas discordando de Sampaio foi quando Fidel Castro veio a Portugal. Por mim, ter-lhe-ia sido recusada a entrada no País.

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