sexta-feira, outubro 22, 2004

Deixem-me trabalhar - Segundo Episódio

Desde que o Governo de iniciativa Presidencial liderado por Santana Lopes tomou posse, é raro o dia que o espanto não nos assombra.

O Ministro Gomes da Silva (que, inacreditavelmente, ainda não se demitiu), proferiu uma série de declarações que, seja qual for o ângulo de leitura, foram de facto uma pressão sobre a TVI e um aviso à comunicação social.
Pedro Santana Lopes veio corroborar o seu Ministro, exigindo o «direito do contraditório» aos monólogos de Marcelo Rebelo de Sousa. Ou seja, alguém do PSD para comentar o Professor !!

O mesmo Ministro Gomes da Silva (que, inacreditavelmente, ainda não se demitiu), em declarações à Alta Autoridade para a Comunicação Social a propósito do episódio anterior, confessou a sua convicção de existir uma cabala entre o Professor, o «Público» e o «Expresso» para denegrir o Governo.

Morais Sarmento, elevado a Ministro respeitável dado o nível do actual Governo, veio em defesa do Governo, argumentando que a RTP devia ter uma autonomia limitada pelo próprio Governo, uma vez estar sobre a sua tutela, e devendo ser os espectadores e os eleitores a opinar sobre a política escolhida.
Tudo isto com Luís Delgado a administrar a Lusa e o Grupo Lusomundo, onde Henrique Granadeiro foi substituído.

Na educação, a novela da colocação dos professores só irá acabar no final do ano lectivo, como bem sublinhou um dirigente sindical do sector.
A Ministra da Educação (que, inacreditavelmente, ainda não se demitiu), mete os pés pelas mãos sempre que abre a boca sobre este e qualquer assunto.

Assumindo o seu papel de parceiro de coligação, o Ministro Nobre Guedes anuncia um plano de demolições na Arrábida, local onde é proprietário de uma casa cujo licenciamento não está concluído e é polémico.

O Ministro Paulo Portas já havia dado o seu contributo ao colocar uma fragata da Armada Portuguesa a defender o País do famoso «barco do aborto».

Entretanto, Bagão Félix, Ministro que privatizou a Segurança Social no governo de Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite, anuncia um Orçamento de Estado que viola mais uma vez o pacto de estabilidade, apesar de assumir premissas macroeconómicas irreais (taxa de inflação, crescimento do PIB, preço do petróleo, etc.), promete baixar o IRS, subir as pensões, promover o investimento público, em resumo: as promessas eleitorais que Santana Lopes anunciou no desesperado discurso de encerramento da campanha eleitoral nos Açores, e que o primeiro-ministro achou por bem transmitir aos portugueses nas televisões, em prime time.

O Ministro da Economia, António Mexia, face ao seu Secretário de Estado que quis benefícios fiscais para a aquisição dos passes sociais, não tendo esta proposta sido contemplada na proposta de Orçamento de Estado, veio desanuviar a questão considerando que o impacto deste recuo é reduzido, pois quem compra passes sociais não tem rendimentos suficientes para pagar IRS!

Já para não falar na demagogia do principio do utilizador pagador para a diferenciação das taxas de moderação no SNS, ou para taxar as SCUT's com portagens - excelente o trabalho do DN esta semana que compara a diferença de tempo entre o percurso nas actuais SCUT's face às estradas nacionais alternativas, e ao futuro preço das portagens.
(Quanto vai custar a implementação técnica e física das portagens?)

A confusão, a inabilidade, os disparates são tantos que, somando às promessas eleitorais em curso, só podem ter uma explicação:

Santana Lopes quer ser demitido pelo Presidente da República o mais depressa possível.

E a famosa Central de Informação do Governo, coordenada por Morais Sarmento, vai estar a trabalhar incessantemente na programação das próximas trapalhadas dos Ministros, até que este objectivo seja atingido e sejam marcadas eleições, onde Santana Lopes será apresentado como o mártir legitimado por Sá Carneiro: a estratégia "Deixem-me trabalhar - Segundo Episódio".

Até Santana Lopes já percebeu que levar este seu mandato até ao fim, para além de pessoalmente inédito, será um suicídio colectivo.

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