quinta-feira, abril 01, 2004

É a Vida...

Embora já tenham passado alguns dias sobre a mediatização do assunto, não poderia deixar de tecer o meu comentário em relação às declarações do nosso putativo não candidato a candidato presidencial, António Guterres, que, num jantar promovido pela Casa João Soares, questionado por um simpatizante socialista, resolveu voltar a explicar dois anos depois porque razão se havia demitido de Primeiro Ministro.

O que ouvi na comunicação social televisiva, apareceu descrito no Público desta forma:

«...o ex-primeiro-ministro começou por se afirmar de "consciência perfeitamente tranquila".
"Houve um momento em que cheguei à conclusão não existirem condições para executar o projecto em que acreditava", explicou. O socialista precisou que a sua decisão foi tomada quando percebeu que "o projecto proposto ao país estava completamente comprometido na sua execução" no Parlamento. "Ou já se esqueceram o que se dizia quando um Orçamento foi aprovado por um deputado de uma região", perguntou lembrando o episódio com o deputado do CDS, Daniel Campelo»


Não constituindo esta resposta qualquer surpresa, uma vez que se limita a resumir a sua declaração de demissão, continuam a haver questões fundamentais que António Guterres ainda não respondeu, nomeadamente aos militantes e simpatizantes socialistas que nele depositaram a sua confiança (e o seu voto):

Por que razão não se apresentou de novo como candidato a Primeiro-Ministro, solicitando aos portugueses uma maioria que lhe permitisse finalmente implementar "o projecto proposto ao país”?
(Aliás tinha o precedente de Cavaco Silva em 1987)

Por que razão, cerca de seis meses antes, assegurou no Congresso do PS, estar disponível não só para cumprir a Legislatura até ao fim, como também ser candidato nas eleições seguintes para mais 4 anos como Primeiro-Ministro de Portugal?
Ainda não tinha percebido nessa altura que "o projecto proposto ao país estava completamente comprometido na sua execução" no Parlamento ?

Se este sentimento ‘pantanoso’ era já tão clarividente para António Guterres, por que razão não procedeu, enquanto Secretário-Geral do PS, a uma transição atempada, suficientemente clara e legitimada, que permitisse ao PS apresentar-se aos portugueses com uma nova liderança e um renovado Projecto para Portugal ?

É que para além de toda a inabilidade e amadorismo da actual Direcção do PS, cuja falta de estratégia política até lhe permite liderar sondagens, ou não tivesse atingido este Governo níveis de incompetência inimagináveis, o PS continuará a ser acusado de esbanjamento e deserção.

E continua refém daquela decisão que deixou o País e o PS perplexo, de um António Guterres que se diz de "consciência perfeitamente tranquila".

Valha-nos isso.
É a Vida.

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