sexta-feira, junho 06, 2008

Ainda os disparates de Manuel Alegre...e dos seus amiguinhos do BE

Após ler isto, isto e isto, sinto-me na obrigação de fazer mais algumas considerações:

1. Agora diz que talvez saia do PS. Faça o favor. Serventia da casa. Já lá está a mais desde 1989, quando por sua vontade as nacionalizações de 1974-75 continuariam a ser "conquistas irreversíveis da classes trabalhadoras". Alegre votou contra a retirada desse preceito da Constituição. Como é que algum verdadeiro socialista o segue é para mim um enigma incompreensível.

2. MA não tem qualquer tipo de moral para falar em sensibilidade social. Nunca se preocupou e agora é que está supostamente preocupado ? Alguma vez o viram fazer algum discurso em que efectivamente mostrasse preocupação com as maiores necessidades dos Portugueses ? Com os mais pobres ? Com as situações sociais a que há que acorrer prioritariamente ?

3. Pouco depois se vê que não quer saber dos mais pobres para nada. Só quer saber dos funcionários públicos e da classe média. Antes de mais, qualquer pessoa no seu perfeito juízo sabe que classes sociais é algo que o Estado Social extinguiu. A noção de classes sociais pertence a outros tempos (aliás, basta ver o artigo de Pedro Lomba que linkei no post anterior) e actualmente há pura e simplesmente pessoas com mais e com menos dinheiro. Mas indo ao essencial: não há paciência para esta obsessão com os funcionários públicos. Então e os do sector privado, são menos que os funcionários públicos porquê ? Este raciocínio só se pode explicar por se considerar que o trabalho do Estado e para o Estado é por natureza mais digno que o prestado para o sector privado. Ou seja: marxismo puro e duro.

4. Já cá faltava a demagogia barata da corrupção e da promiscuidade entre política e negócios. Mas isso a existir é só de agora ? Muito honestamente, dá mesmo o ar de quem queria ganhar dinheiro nuns esquemas, não conseguiu e agora faz-se passar por virgem ofendida.

5. De facto a blogosfera de direita tem alguma (para não dizer bastante) razão quando afirma que a comunicação social portuguesa está minada pelo BE. Aliás, para sermos rigorosos, se toda a comunicação social mainstream portuguesa está nas mãos da direita em sede de propriedade, uma percentagem enorme de jornalistas é militante ou simpatizante do BE. Tudo a beneficiar a direita e o BE, portanto.

Mas falo disso pela simples razão que é irritante a forma como se deixa passar a linguagem pretendida pelos organizadores do tal comício, com a utilizando da expressão "as esquerdas". Não aceito que se tente (como é o hábito do BE, diga-se) a apropriação de uma expressão que não lhes pertence. E que não lhes pertence em nada. Aliás, eu que sou de esquerda não quero cá confusões nem misturas com a extrema-esquerda. E é no mínimo lamentável essa tentativa de excluir o PCP, que já cá anda há muitos anos e, ao contrário do BE, e apesar de todos os defeitos que tem, não deixa de ser uma força política coerente e que apresenta soluções fundamentadas e (no limite da ideologia que defende) construtivas. Por exemplo, alguém ouviu o PCP defender explicitamente nacionalizações tal como MA defendeu terça-feira ? Não.

E, já agora, dizer que "abriram-se as portas para as forças de esquerda" é literalmente dizer preto no branco que só o BE é de esquerda. Aguarda-se serenamente o contra-ataque do PCP. Que virá. O PS perante tamanhos disparates só tem que trabalhar e colocar em prática o seu programa de Governo. Sem deixar de ter em atenção, contudo, que uma mentira contada 1000 vezes pode ser considerada verdade.

6. A exaltação da festa, das canções e da imprudência revela um lirismo inaceitável. O que é importante para MA é cantar-se canções em conjunto e sentir-se um espírito de comunhão e fraternidade. Ora, isso é uma missa. Isso é esperar que desses momentos em conjunto saia a salvação. Política não é religião. É resolver. É trabalhar. Como disse Jeffrey Archer na boca de Simon Kerslake, sem poder não é possível servir.

7. Modelo económico esgotado ? Esgotado e morto está o marxista.

Ainda a propósito dessa iniciativa, o João Rodrigues (do BE, diga-se) entrou em estado de euforia e produziu algumas considerações para futuro. Ora eu também queria muita coisa. E essas ideias têm um lugar: o caixote do lixo ideológico e político, porque:

1. O Estado Social é uma realidade e assim continuará a ser dependendo do PS, e, em bom rigor, muito PSD concorda com a sua existência.

2. Os serviços públicos administrativos são uma necessidade que só os ultra-ultra-liberais põem em causa.

3. Como atrás referi, a dignidade dos profissionais do sector público não pode ser superior (nem inferior) à dos do sector privado.

4. Em Portugal existe emprego com direitos, o problema está na atitude das pessoas que não os exercem e acham sempre que são umas vítimas.

5. Considerar que o espaço público está atrofiado denota uma mentalidade estatista e desresponsabilizadora que só trouxe a quem teve que lidar com governos que a possuíssem pobreza e opressão.

6. As desigualdades económicas só são um problema na medida em que impeçam o exercício de direitos, o que em Portugal, país desenvolvido, é algo de muito residual. Ah, esqueci-me que pela cartilha do JR é melhor todos termos 40 do que uns terem 200 outros 150 outros 100 e outros 70...

7. Duvido que haja país mais livre que Portugal em termos de autonomia e florescimento individuais.

8. O JR não sabe o que é socialismo, e agarra-se à definição que o horrível Marx deu a tal palavra. Esse Marx que segue e que é ideologicamente responsável por milhões e milhões de mortos como nenhum outro. E que acima de tudo é o maior semeador de ódio e de inveja que a Humanidade alguma vez conheceu.

1 Comentários:

Às 07 junho, 2008 17:42 , Anonymous Anónimo disse...

A mim sempre me pareceu que o Manuel Alegre faz oposição interna ao PS, desde os anos noventa, porque desde essa altura que é manifesta e generalizadamente considerado como um peso morto, como um elemento inútil e e incompetente, tanto política como tecnicamente em todas as áreas.
Apercebendo-se disso, o Manuel Alegre ressente-se e para fazer face à sua ambição pessoal procura apoio social por meio da ruptura, tanto para ser reconhecido internamente, como para se vingar de quem não lhe reconhece o respeito que ele julga adequado.
Desta base motivacional parte o processo de congregação dos descontentes e de guerrilha interna, desde o primeiro Governo de Guterres em diante...
Mais tarde, consegue algum apoio interno (16%) nas eleições do PS, juntamente com algumas estruturas e quadros. A partir daí faz-se aceitar como um mal menor, mas não lhe basta, o seu grupo não aceita ser subsidiário de uma pessoa que não vai a lado nenhum e ele começa a tentar o apoio do PS para as eleições presidenciais.
Quando, Soares se adianta como primeiro candidato de esquerda a avançar, justificando a sua candidatura com a sua posição de particular dignidade e reconhecido mérito que seria essencial para defrontar Cavaco, o candidato único de toda a direita, desde o PSD (até ao PPM, lembre-se que o Duarte Pio diz que Cavaco tem "atitude de rei") e ao PNR.
Neste momento, o Manuel Alegre sente que o PS não lhe deu um apoio que lhe era devido, invocando até que isso lhe teria sido de algum modo transmitido ou dado a entender.
Assim, o Manuel Alegre trai o PS, e usa as suas próprias estruturas para, primeiro, dividir o partido, e logo depois, dividir toda a esquerda, dando de bandeja a vitória a Cavaco.
Porém, desta aventura resta uma base de apoio mais alargada, tanto internamente como fora do PS, como se de cada vez que o Alegre perde eleições, ganhe importância para com o PS, que fica assim a saber que pode ser dividido aos caprichos pessoais do Manuela Alegre.
Neste sentido, forma-se o MIC que pretende manter a coesão da base de apoio do MA, mas que até agora nunca teve qualquer iniciativa de interesse público ou qualquer enriquecimento para a democracia.
Desta sua candidatura resultam dois pontos de conteúdo:
1. A postura, a campanha e o discurso de ataque aos partidos, aos políticos e à política, como sendo elementos de bloqueio dos sentimentos naturais dos portugueses nas suas instituições governativas.
Esta postura é herdada do Eanes, que sempre fez campanha contra os partidos e contra os políticos, criando até um partido com esse ideário.
2. A defesa da cidadania, não como condição de dignidade do membro de uma sociedade republicana, ou enquanto exercício dos direitos políticos ou públicos, mas enquanto suposta falta de altruísmo nas relação entre os particulares.
Que é basicamente a ideia de direita, segundo a qual cabe à sociedade civil resolver os problemas e as desigualdades, por razões de auto-organização e por sentimentos de caridade.
Estes foram os mesmos pontos reaproveitados na campanha de Helena Roseta, que não se sentia bem no PSD, e pouco depois descobriu que o PS não é suficientemente de esquerda para ela, ou antes, que também não lhe ligavam nenhuma no PS e que não ia conseguir tacho.
Desta forma, a Helena Roseta com o apoio da estrutura do Manuel Alegre, dividiu mais uma vez o partido, sendo que neste caso era praticamente impossível conseguir dar o poder de mão beijada à direita.
Feita esta interpretação do grupo dos "alegristas", ou mais fielmente e depreciativamente, do "esquerdalho" (versão mais abrangente) ou dos "alegretes", chegamos ao momento presente.
Desta forma, impõe-se analisar o comício do Manuel Alegre com o BE e os da renovação comunista.
Quanto a isso já tudo foi dito, e resume-se nisto: foi um comício contra o PS, o que significa que o Manuel Alegre, sendo membro do PS, o está a prejudicar, ou seja, numa palavra, a trair!
Posto isto, a minha posição é a de que o Manuel Alegre deve ser expulso. Isso porque claramente não se enquadra no PS. Não porque o PS não seja permeável à sua participação nos seus órgãos, muito pelo contrário é sempre convidado a a participar e tem mais do que o respeito adequado, mas porque o Manuel Alegre quer construir um movimento seu que destrua e absorva o PS, ou seja, por motivos de ambição pessoal.
O Manuel Alegre devia ser expulso, na medida das razões formais, por se candidatar e apoiar candidaturas contra o PS. Por sistematicamente atacar publicamente o partido, dividindo-o e usando as suas estruturas contra si próprio, e finalmente, por participar num comício contra o PS.
Bem avaliada, essa posição é a mais conveniente ao PS:
1. Mais dificilmente as suas estruturas são usadas contra si.
2. A tentativa de divisão passa a vir de fora. Já que MA é a cara de um movimento contra o PS, ao menos que esteja fora do PS.
3. Enquanto partido os apoios de MA não têm a mais vaga importância social: sem o PS MA não é nada.
4. Quanto mais cedo se tirar o cancro melhor. E assim o PS praticamente deixa de ter que aturar a gentalha do MA.
5. Há mais pessoas a votar num PS sem MA, que com ele.

 

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