terça-feira, março 09, 2004

O artigo mais fascista que alguma vez já li

João César das Neves vem dizer, na linha do que defende sobre a IVG, que é a mesma coisa fazer uma IVG do que matar um filho menor de 18 anos, ou, mais ainda, "até que a gravidez se complete e o embrião saia de casa".

Não vou comentar esta afirmação do ponto de vista dos direitos humanos. Muito já terá sido escrito sobre o assunto. Vou tratá-lo noutra perspectiva.

JCN chama todos os adolescentes de "desobedientes, teimosos, arrogantes, ou pelo menos atrevidos e inconvenientes". Junte-se isso ao que acima disse e temos a absoluta e clara afirmação de que, em seu entender, os filhos são absoluta propriedade dos pais, aos quais têm que dizer a tudo que sim e sem pestanejar.

É verdadeiramente lamentável.

Ah, isto para não falar da concepção reprodutivo-pecaminosa que tem do sexo. "Nos momentos iniciais toda a gravidez é desejada. Pode não se saber que vem aí, mas naqueles instantes os envolvidos fazem avidamente tudo para que ela comece".

Para já, JCN está errado. Quem use métodos anticoncepcionais não está a fazer tudo para que uma gravidez comece. Bem pelo contrário.

E, tendo em conta o que diz, considerando que já tem filhos de uma certa idade, vem imediatamente à cabeça fazer uma analogia entre JCN e o famoso Deputado Morgado, tão ridicularizado por Natália Correia...aliás, não resisto a transcrever o poema em questão...

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

NATÁLIA CORREIA



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