quinta-feira, outubro 02, 2003

PURA DITADURA

O Crítico Musical fala sobre as cidades e os automóveis.

E rapidamente percebemos que se trata de um texto onde o mais que politicamente correcto (e mais que ridículo) ataque aos automóveis em nome das pessoas é levado ao extremo.

Aliás, escolher quais os disparates a realçar é difícil:

1. Lisboa tem transportes excelentes e bem conjugados ? Só apetece perguntar em que lugar deixou o autor a respectiva NAVE...

2. Considerar que o habitual utente de transportes públicos se desloca de carro nos dias de chuva POR RAZÕES DE STATUS é tão inimaginável omo absurdo.
Para mais, a grande maioria das pessoas vai possuindo automóvel próprio. O que todos têm não é status. Só carros bem caros o dão.

3. "Que direito têm estes automobilistas impenitentes a usar a sua carripana, a poluir o ar de todos, a atravancar as ruas, a encher os passeios, a lutar dia-a-dia com os fiscais da câmara, tentando fugir a bloqueadores e a multas?"

Lamentável. Existe algo chamado LIBERDADE DE CIRCULAÇÃO. Qualquer pessoa tem o direito de se deslocar livremente. Ah, se estaciona em cima dos passeios está obviamente a cometer uma ilegalidade, e deve ser punido por isso.
Mas o Crítico considera que o cidadão comum não tem direito a utilizar o seu automóvel livremente, também por poluir o ar de todos. Como se a indústria automóvel não fosse EXEMPLAR a cumprir normas de protecção do ambiente cada vez mais rígidas.

4. Mas a máscara cai rapidamente: para o Crítico, os habitantes dos municípios limítrofes da capital não têm direito de utilizar livremente as ruas da capital.
Portanto, o Crítico quer as ruas todas para si e as suas actividades pseudointelectuais, supostamente educadoras do gosto do povo.

5. E mais, para o autor andar de carro é um vício. Se se preocupasse com reais vícios e não em atentar à liberdade de circulação alheia. Se fosse participar em actividades sociais úteis e não em querer proibir algo pelo simples motivo que não gosta fazia melhor.

6. Se em Helsinki mesmo no Inverno as pessoas preferem os transportes públicos e a bicicleta, isso é de fácil explicação:

a) a rede de transportes públicos é excelente, aliás há uns tempos li um testemunho de uma finlandesa que dizia "Como a nossa rede de transportes é excelente, nunca precisei de comprar carro";

b) aliás, compare Lisboa com outras cidades do Sul da Europa e não verá essa profusão de bicicletas.

c) poucas cidades terão uma orografia tão irregular como Lisboa; e os IRRESPONSÁVEIS que defendem portagens ou trânsito proibido no centro da cidade esquecem-se que a capital tem como limites Sul e Este o Rio Tejo, o que à partida impede a viabilidade dessas propostas.
Imagine-se o pobre cidadão que está em Sta. Apolónia e deseja ir para Belém...demoraria umas 2 horas pelo menos....a zona do Marquês de Pombal transformar-se-ia no mais absoluto caos, etc.

CHEGA, portanto, de politicamente correcto. Investir em mais e melhores transportes públicos é sim a solução. As pessoas optarão de livre vontade pelos transportes mais rápidos e confortáveis. E não proibir nem limitar.

Está aí uma campanha de publicidade da Carris que é verdadeiramente notável, a realçar os aspectos do conforto, das conversas ao telemóvel e das despreocupações. É esse o caminho. A opção livre e consciente pelos transportes públicos, e não qualquer condicionamento.

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