O País Encurralado...
Caros amigos,
Não tenho o costume de ser pessimista. Talvez porque não tenha idade para isso; talvez porque acredite que com objectivos, vontade e competência se consegue ultrapassar muitos obstáculos.
Mas, hoje, não é dia bom. Confesso que vou agora para casa e não sei o que dizer...apesar de tudo sou responsável, maior e vacinado, e tenho dois filhos a quem tenho a obrigação de 'dar' futuro.
De manhã, oiço na TSF, que um Secretário de Estado levanta o 'véu' sobre um assunto que não lhe diz respeito, altamente polémico, e penso: 'Com os raios, será que este tipo não sabe que a falta de solidariedade política também 'mata'? Mais, no Montijo, Alverca..., mas OTA continua na agenda? A credibilidade disto é nula...confundem-se 'vontades' com realidades, gera-se a confusão e, impunemente, aumentamos o 'fogo' de uma fogueira sem que os portugueses conheçam, fundamentadamente, porque investimos e com que critérios. É uma confusão pegada....
Depois, ainda de manhã, sabemos que a Autoeuropa perdeu a possibilidade de produzir o SUV da VW. 'Entricheirados', sem poder 'vender' mão-de-obra nem cérebros, caminhamos para o empobrecimento, deixando que o curto-prazo nos vá tolhendo o futuro.
A confiança renovada; a vontade de mudar, vai caindo, ao ritmo das pequenas batalhas que 'perdemos'. A taxa de desemprego aumenta; o PIB estagna; e, para além disso, a pequena política consome-nos as (poucas) energias que nos restam.
Não há português que aguente tanta mediocridade.
Abs na esperança de melhores dias,
M

19 Comentários:
Digam todos juntos:
Obrigado António Guterres!
Caro Monsenhor
Não é pessimismo mas sim realismo, este é um pais sem futuro, fomos "democraticamente" governados maioritariamente durante estes trinta anos por o PS e PSD e após estas três décadas vem um fulano que diz ser socialista fazer-nos querer que estamos neste estado por culpa do povo que trabalha, que paga impostos que contribui para o PIB, querem fazer-nos querer que somos dos trabalhadores menos produtivos e que a culpa é nossa, que temos de apertar ainda mais o cinto, pagar mais impostos, prescindir de regalias sociais enquanto os políticos, aqueles que nos puseram neste estado, continuam ao fim de 12 anos a ter o direito a reforma independentemente da idade, estou farto, mesmo farto, também tenho dois filhos e embora com 52 anos gostaria de ter direito a sonhar, a sonhar com um fim de vida de descanso com regalias sócias, a sonhar com um futuro para os meus filhos, só me resta levar para o "outro lado" a incerteza do futuro daqueles que aqui deixo, pessimismo? Não, realismo!
A culpa é de ouvirem notícias. Andam todos em campanha anti-governo. Desde imprensa, partidos, radio e tv.
Para este país continuar a ser é necessario fazer o que nos pedem: ver estas eleiçoes como um teste ao governo. E votar no partido do governo. Se nao for assim eles nao se calam! As pessoas nao investem! Ficam com medo do mau ambiente politico para alem do economico.
Caro Monsenhor
Não estou a compreendê-lo. Num Post anterior sobre a OTA e o TGV defendia a sua imediata construção e que só os ignorantes é que não entendiam a necessidade da sua construção.
Por essa altura, já destacados dirigentes do seu PS, como por exemplo António Vitorino, argumentavam (e bem) que antes de realizar investimentos públicos é necessário conhecer previamente a viabilidade financeira.
Qual a minha surpresa quando vejo Monsenhor a fazer marcha-a-trás e a dizer que é necessário que o governo explique porque investimos e com que critérios.
Argumentar que se é a favor ou contra, sem estar preto no branco é obviamente uma confusão pegada.
Abs
FC
Um pessimista não é mais que um optimista esclarecido...
Meus caros,
1. António Guterres???? Por favor, não bramqueiem os 10 anos de maioria absoluta do PSD. 10 anos de fundos comunitários e de ausência absoluta de eficácia. Sabem quanto custou a 2ª maioria do CAVACO. As inaugurações de troços de 1 km; as diferenças abismais entre valor orçamentado e executado das obras (ex CCBelém, troços das autoestadradas, obras portuárias). Foi desperdício atrás de despedício. Por favor, tenham decoro....ainda hoje pagamos no défice as medidas que o levaram à 2ª maioria absoluta. Leiam o que Miguel Cadilhe escreveu sobre o 'Pai do Défice'.
2. Marcha-trás???
Meu caro, volte a ler o post,não percebeu nada...a OTA e o TGV são o futuro, não os Alvercas, Figos Maduro, etc. Aliás, se este Governo tiver que avançar com esta solução é péssimo. Significa que a procura aumentou e não temos, neste momento, a possibilidade de em tempo úlil ter uma solução economicamente racional. Ou seja, mais investimento sem retorno a longo-prazo. Aqueles que andaram por aí a dizer que não haveria OTA enquanto as criaçinhas estivessem em fila de espera deviam pintar a cara de preto. Demagogia pura, sem reacionalidade económica. PURO GOLPISMO.
Penso que terá chegado o momento de algunos dos meus caros amigos bloggers reconehcerem que o FURACÃO DURÃO/SANTANA devastou a confiança e a autoestima dos portugueses. Que, para chegar ao poder, não se coibiu de fazer campanha negativa. E que depois, do défice às obras públicas, da saúde à educação, foi um DESASTRE que espero que sirva de vacina.
Abs,
M
OTA, TGV, continuamos à espera dos estudos.
(ah! o Descrédito não entre nessas campanhas...)
Meu caro,
É um bom princípio. Esperar para ver os estudos. Pelo menos é, à partida, melhor que ser contra antes de os ver.
M
Precisamente, parece-me que existem argumentos contra e outros a favor, o que não faz sentido e dizer que os estudos existem, mas não os podemos mostrar agora (se não fosse um governo PS, o que teria sido dito...). Até porque alimenta todo o tipo de confusões, como dizer que a OTA não é viável, que só serve para 15 anos, etc. Se os famosos estudos não existem, façam-nos, se existem e estão desactualizados, façam outros. Esta novela é que é uma tristeza e alimenta os piores receios, que normalmente conduzem as contas dos partidos e de alguns amigos.
Não ajuda o secretário de estado dar entrevistas a falar noutro aeroporto para "low-cost", que fica mais perto de Lisboa que o principal, não é preciso ser economista, basta bom senso.
As trapalhadas deste gonverno nesta matéria (só nesta?..) são confargedoras e levantam a legitima suspeita de que está tudo a ser feito sem nenhum cuidado.
Bom, num aspecto estamos de acordo: os estudos são precisos.
Mas o problema central não é estudar. Q questão é saber qual a estratégia e para que serve um aeroporto. E é aí que discordamos.
O novo aeroporto de Lisboa é necessário para sustentar o modelos de desenvolvimento económico. Não me vou alongar, mas podemos discutir mais tarde esse aspecto. Contudo fica uma reflexão: Atenas tem um novo aeroporto a 42 Km e é uma cidade altamente turística. O assunto também foi discutido mais ou menos nos mesmos moldes. Hoje, passados 2 anos, já ninguém o discute. Todos percebem que a medida foi boa, quer para a cidade, quer para o turismo (tem melhores serviços, melhor imagem ), quer para a logística grega.
Não podemos confundir proximidade com melhor serviço. A OTA fica a 15 minutos de Lisboa numa navete ferroviária.
Abs,
M
Concordo. Mas é essa estratégia que não é minimamente clara. Como não foi no caso do transporte ferroviário e com os custos que são bem visíveis. E a maioria dos episódios que temos assistido, a favor e contra, escondem (as vezes pouco...) ambições de outra natureza, algumas até perfeitamente legitimas e que seriam melhor discutidas se fossem claras. O que se passa hoje é que já há muita gente que não está para aturar as decisões muito onerosas sem o devido fundamento, e ests governo porta-se neste caso como se fossemos todos burros.
É bom também não confundir o direito, porque é, de facto, um direito, o querer estar informado e poder tomar uma posição sobre uma matéria que envolve os custos que um aeroporto envolve (aliás, sejam quais forem os custos...)e estar contra tudo. O que eu quero é informação e não a habitual política do facto consumado. Se a posição dos defensores da OTA estivesse bem estruturada, não estavamos a perder tempo a discutir aspectos que são da elementar cidadania.
Concordo,
A confusão está instalada. Mas cuidado,a confusão não é dos defensores da OTA, mas sim de quem decidiu utilizar argumentos demagógicos e colocou esta questão como um elemento distintivo entre o PSD e o PS.
Os dados são precisos e conhecidos são:
1. A Portela tem uma limitação de capacidade.
2. Essa limitação pode ser resolvida transitorianete com investimentos avultados (ver Carmona Rodrigues)
3. Alverca, Montijo, etc, serão sempre localizações transitórias já economicamente tornariam insutentável o investimento num novo aeroporto (ou mesmo para o alargamento possível da Portela).
4. Rio Frio encontra-se na reserva ecológica e é atravessado por aves migratórias (Bruxelas não dá 'massa' para projectos com estudos de impacto ambiental que rejeitam localizações.
O investimento na OTA será suportado apenas em 10% pelo Estado. O resto será financiado por privados. Privados esses que querem ter um projecto economicamente viável, para quem o Estado transfere o risco de procura.
Mais, com a OTA, a procura do Sá Carneiro irá diminuir, promovendo uma centralização dos fluxos.
Abs,
M
Atenção que essa dos custos está mal explicada. Quais são os custos? O aeroporto só? e os acessos? e os sistemas de tranporte associados ao aeroporto?. Insisto não sou contra a ideia, mas quero é vê-la bem explicada.
Monsenhor:
1. Não é verdade que o investimento da OTA seja de privados. Um veículo com rendimentos garantidos pelo estado não é um investimento privado, é um empréstimo com spreads mais elevados que os da dívida publica.
2. Para a construção da OTA o país entrega o valor funcional da Portela que além de aeroporto internacional é aeroporto regional. Portanto é irrelevante se o investimento para a construção é privado, porque o investimento do país é superior. Isto é, aquilo que o país entrega em valor funcional é mesmo superior aquilo que vai entregar em dinheiro. Financeiramente, a OTA é o maior buraco em que este país se pode meter.
3. A capacidade da OTA é limitada no número de passageiros, ao contrário do que é normalmente divulgado de que é no número de aeronaves. O aeroporto que tem vindo a ser falado para baixo custo resolve a questão do aeroporto por décadas sem se estoirar o esparrame de dinheiro e valor que a OTA implica.
4. Faz-me uma certa confusão que depois do post que colocou, ainda defenda o gastar ao disparate que tanto caracteriza os governos do PS.
Meu caro Tonibler,
Custa-me que fale de custos funcionais, de investimento privado, etc, etc, e que apesar de tudo não diga nada sobre a procura, o nível de serviço, a concentração de carga que gravita em torno da OTA (o centro de gravidade da economia portuguesa). Desculpe lá, o mas o meu caro parece-me que fala sobre coisas que conhece pouco.
O facto do investimento ser privado significa que há o reconhecimento sobre a viabilidade económico-financeira, e que o Estado consegue, neste caso, não como aconteceu com a Ponte Vasco da Gama, ou o Comboio da Ponte 25 de Abril, transferir o risco da procura para privados. E sabe porquê: porque acreditam que a OTA é um bom investimento.
Como sabe, a ANA é um dos poucos negócios lucrativos do Estado. É por isso qua sua privatização, ao que devemos somar o investimento privado, fará da OTA um bom aeroporto, barato e com elevado nível de serviço.
Desculpe que lhe diga, mas os investimentos em aeroportos periféricos, sem qualidade e feitos como remendos são soluções que já se conhecem noutros países, tendo resultado em desastres económico-fianceiros - (não concentram a procura, não têm sinergias ao nível as infra-estruutras, e tendem a rebentar com o novo investimento que não consegue praticas taxas aeroportuárias competitivas).
O grande disparate é fazer aquilo que temos feito: já gastámos mais do que o necessário para construir um bom aeroporto em soluções transitórias na Portela e no Sá Carneiro. É uma irresponsabilidade.
Mais: as soluções encontradas são apenas resultado da inércia que a direita instalou no sector. Politizaram a questão quando ela é técnica. E este aspecto retira serenidade à discussão.
Já deviam ter percebido que a Portela não pode sobreviver ao aumento da procura que é sugerido pela alteração da indústria da aviãção comercial. Sigam em frente. Não atem o país à mediocridade - como o fizeram o Durão, o Carmona, a Manuela Ferreira Leite...
O Governo do PS comete erros, diz disparates, aliás como qualquer Governo, mas não compare com inércia festivaleira da tripla Durão/Santana/Portas.
Abs,
M
PS: Madrid, tem planeado um aeroporto novo; todavia, acaba de inaugurar uma nova terminal, que custou 6.000 milhões de euros - o dobro da OTA, para suportar até 2020 70 milhões de passageiros. Nem lhes passa pela cabeça dividir o tráfego. Isso retira competitividade à companhia de bandeira, a IBERIA. Leia a entrevistas do Fernando Pinto ao Diário Económico.
Fico feliz por em tão grande lista de "distintos" comentadores a tão "profundo" post, encontrar um (Caro, Cris) cuja análise coerente e precisa me fez acreditar que, felizmente, não sou a única a acreditar que este Governo apenas faz o que tem de fazer. E bem!
Caro Monsenhor:
Já teve acesso ao project finance da OTA? Dá para metê-lo aqui? Eu pensava que ainda não havia nenhum...
Com os problemas da ANA e da TAP posso eu (contribuinte) bem. Eu tenho um aeroporto. Mentira, tenho 3 no continente. Pelo seu argumento de que o aeroporto gerava todo esse negócio, devo estar rico sem saber.
O estado não transfere nada. Quem transfere é o país. E o país destroi o aeroporto que tem na Portela para ter um aeroporto na OTA e, adicionalmente, ainda aloca parte do dinheiro dos impostos que poderia ser gasto noutras coisas, como por exemplo deixar o dinheiro na mão do contribuinte por abaixamento dos impostos. Tem razão numa coisa, a questão é técnica e a resposta à questão é qual o custo de oportunidade para o país de montar essa mega scut face a um abaixamento de impostos ou o investimento noutro tipo de infraestrutura que hoje não temos.
Porque se a OTA acrescenta realmente valor, força. Não precisam que o estado português diga nada, ou precisam?
Disparate é andar em parvoeiras que alocam a disponibilidade do contribuinte para a mera destruição de valor. Há 20 anos que não fazemos outra coisa e o resultado está à vista. Seria, talvez, tempo de parar, ou não? O aeroporto não vai gerar carga, quanto muito a carga vai precisar do aeroporto, o que faz toda a diferença do mundo. Se o nosso problema fosse acessibilidades, estávamos ricos porque há 20 anos que não fazemos outra coisa. O problema é que não é esse o nosso problema, isso é problema de rico. Os nossos problemas são problemas de pobre, é falta de educação, de reais infraestruturas, de energia, de tudo menos de acessibilidades.
Pare-se de gastar dinheiro em disparates!
Meu caro,
Já reparei que capacidade de sistema é um conceito que não domina...paciência, fica pelo conceito de bean counter.
Tem um aeroporto? Claro que tem. Que como não tem a capacidade adequada e necessita de novos investimentos para aumentar a capacidade (que são claramente irresponsáveis dada a longevidade dos mesmos). E contra isto ainda não há argumentos.
O project finance da OTA existe...desde o tempo do Eng. João Cravinho. É nesse project finance que se baseia o Governo para dizer que o investimento público é 10%.
Olhe para o novo aeroporto de Atenas, para o esforço de Madrid, para os investimentos de Barcelona, etc, etc. O problema central é que a Portela não pode aumentar a sua capacidade para os níveis necessários (é uma irracionalidade económica), para já não falar do ruído (dou aulas no ISCTE passam cada vez com mais frequência aqui por cima).
Abs,
M
Caro M,
Continuo sem perceber porque é que com 3 aeroportos a meio gás não sou rico e porque é que três aeroportos a meio gás implica em capacidade de sistema. Faço recordar que o ano passado foi preciso meter e tirar milhares de pessoas durante o euro no mesmo dia e não tenho conhecimento de mortes por causa disso.
Qual é o(s) privado que vai investir? Quais são os covenants do projecto que cabem ao estado? Com um project finance com esse tempo todo, certamente já tudo isto é do conhecimento público.
E, por favor, não diga que o estado investe 10%, porque isso é irrelevante. O país investe 110%, 100% pelo aeroporto que já tem e 10% via estado.
Olhe para a dívida pública grega, para o comércio espanhol e para a carga fiscal portuguesa e a destruição de valor feita pelo estado. Veja ao custo de oportunidade de andarmos a gastar em tudo menos naquilo que é mesmo necessário. Não basta já? Não chega já meio país alcatroado? Se realmente chegarmos a necessitar do tal tráfego e não tivermos aeroporto, temos um problema, mas, repito, é um problema de rico. Põe-se a carga num camião e mandamos de Madrid. Agora, que crescimento económico, e como, estamos nós à espera para que esse aeroporto seja realmente necessário? Que tal parar de sufocar o crescimento para que o aeroporto seja necessário, em vez de inventar uma necessidade que sufoca o crescimento?
Faz-me uma enorme confusão que se fale disto como se a margem para a dívida pública ou para o aumento dos impostos fosse uma coisa enorme. Não é, temos que reduzir dívida e impostos rapidamente. E fala-se em meter dinheiro em aeroportos como se fosse de borla. Já chega!
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