segunda-feira, agosto 22, 2005

O SAFARI PORTUGUES

O animal feroz voltou do Quénia.
De volta à savana nacional nada de novo.
Afinal de contas António Costa telefonou-lhe duas vezes (!!!) e disse-lhe que estava tudo na mesma, igual a quando partiu.
E estava mesmo.
O país continua lentamente a arder.
São os incêndios que consomem vastas áreas florestais e agrícolas, que dizimam habitações, que destroem as vidas de gerações. Isto apesar da determinação propalada (!!!) de sucessivos governos no combate às chamas. Os "reis das madeiras" é que gozam que se fartam.
É a seca extrema que já atingiu 75% do território nacional e a continuação de cortes de água em muitos concelhos.
São os fogos na CGD, na GALP, na EDP e na PT que consomem vastas "elites" políticas, escolhidas pela cor do cartão ou pelo parentesco. Tudo em nome da "competência e qualificação".
São alguns pirómanos empresários portugueses com sede de protagonismo que opinam sobre os investimentos públicos, particularmente a OTA, enquanto ainda não se conhece o estudo do impacto económico e financeiro.
São as fagulhas incendiárias entre o dr. Marques Mendes e a dupla Valentim Loureiro/Isaltino Morais, que já não há bombeiro que aguente.
É o rescaldo da história do passe do Miguel, da transferência e do pedido de desculpas ao clube da 2ª circular.

O PS também continua a arder lentamente.
Começaram as operações para evacuar o colonato de Felgueiras, retirando a Comissão Política local o apoio ao candidato do PS.
A sede de protagonismo de Carrilho, dos holofotes e dos flashes fotográficos, levou-o sem apelo nem agravo, a criticar publicamente a escolha do candidato a Presidente da República apoiada pelo PS, demonstrando uma deslealdade com o secretário-geral, e dando a ideia de desnorte dos socialistas que vivem "sem rei nem roque". No dia seguinte, sonsamente, veio desmentir. Para Carrilho, não houve intenções de provocar um incêndio, afinal tudo não passou de um simulacro, de um falso alarme.
No desespero de ver arder a sua candidatura presidencial, tal como ardeu a candidatura a secretário-geral do PS, com a força dos ventos passam, Manuel Alegre, desdobra-se em iniciativas, não entendendo que, como dizia Vital Moreira "Eu conheço pelo menos uma dúzia de pessoas que dariam excelentes presidentes da República. O problema é que, para o serem, precisam de ser eleitos." Com a insistência da sua candidatura agrava fatalmente as divisões no PS e a possibilidade de eleição de um Presidente que una os portugueses. E Alegre se tornou triste.

António Costa tinha razão quando disse que estava tudo na mesma.
Creio mesmo que este país não necessita de nenhum primeiro-ministro e o PS de um secretário-geral.

61 Comentários:

Às 22 agosto, 2005 13:28 , Blogger Pedro Sá disse...

Sinceramente, o que é grave é o Governo dar apoio às vítimas dos incêndios para a reconstrução das casas e etc.

Se qualquer um de nós por algum motivo fortuito tiver um incêndio que destrua a nossa casa não tem direito a nada.

É uma discriminação verdadeiramente asquerosa.

 
Às 22 agosto, 2005 13:29 , Blogger Pedro Sá disse...

teste

 
Às 22 agosto, 2005 13:31 , Blogger Pedro Sá disse...

teste 2

 
Às 22 agosto, 2005 15:22 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Ó Pedro Sá

Qualquer dia ainda dizem que eu tenho algo contra si, mas a pensar dessa maneira quem é que não tem.

O amigo vive na cidade onde as autarquias, umas melhor outras piore, fazem a limpeza das ruas, ajardinam os recantos, limpam as arvores e deixam tudo num brinquinho, o meio que nos rodeia não é tão ?carburante? como isso, é tudo cimento e alcatrão, o mesmo não se passa na província, ai as câmaras não cumprem com as suas obrigações, as matas não estão limpas, as bermas das estradas, que são competência de alguma entidade tipo JAE, julgo que agora se chama outra coisa qualquer ? mudam as moscas a M____ é a mesma? deveriam limpar as bermas mas não o fazem, além disso a cidade não é alvo de pirómanos, e aqui a culpa é do estado, devido á fraca cultura e educação que ?vende? a este pais, por isso eu estou solidário com os subsídios para a reconstrução.

 
Às 22 agosto, 2005 15:24 , Blogger Pedro Sá disse...

Se os municípios não cumprem as obrigações, cabe aos eleitores proceder às mudanças que entenderem. Easy as that.

O que não pode haver é esta monstruosa discriminação.

 
Às 22 agosto, 2005 15:49 , Blogger Mario Garcia disse...

Pedro Sá:
Começas seriamente a preocupar-me!
O teu caminho revisionista está a levar-te a posições apenas sobrescritas pela direita mais conservadora!!

'Back to the Basics'

Qual é o rendimento per capita em Lisboa e nos Concelhos em causa?

Por onde anda a Igualdade, Fraternidade e Solidariedade?

 
Às 22 agosto, 2005 15:52 , Blogger Pedro Sá disse...

Isso é demagogia barata. É precisamente tendo em conta a IGUALDADE que defendo o que defendo.

O rendimento per capita não pode servir de razão para desigualdades. O que se passa com isto é um escandaloso benefício a quem mora em zonas próximas da floresta, em prejuízo de todos os restantes. É uma absurda discriminação.

 
Às 22 agosto, 2005 15:54 , Blogger Pedro Sá disse...

Para além disso, o que disse relativamente a qualquer um de nós aplica-se, como é óbvio, a qualquer pessoa desses mesmos municípios que resida fora das zonas florestais.

 
Às 22 agosto, 2005 16:26 , Blogger Mario Garcia disse...

Pois é.
Apenas restou a igualdade...

 
Às 22 agosto, 2005 16:29 , Blogger Pedro Sá disse...

Evidentemente. Fraternidade e solidariedade não são para aqui chamadas. As ajudas conferidas são CARIDADE, algo que é mau por natureza.

Mas...imaginemos que a situação implicava fraternidade e solidariedade. Um incêndio num meio urbano qualquer não dava lugar a fraternidade nem a solidariedade PORQUÊ ?

 
Às 22 agosto, 2005 16:36 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Os incendios nos meios urbanos em edificios estão cobertos por seguros, enquanto nas áreas rurais as casas são edificadas por cada um com o esforço de anos de trabalho e sem, na grande maioria dos casos, empréstimo bancário, por isso não carece de seguros, e isto só acontece porque os salários são iguais ou inferiores, Pedro Sá, repare naquilo que eu lhe estou a dizer, os salários são iguais ou inferiores ao salário minimo nacional que é de pouco mais de 350 euros.

Como o Mário Garcia disse e muito bem é um caso de Fraternidade e não de caridade.

 
Às 22 agosto, 2005 16:42 , Blogger Pedro Sá disse...

Repare, meu caro Elisário:

1. As habitações nos meios urbanos só estão eventualmente cobertas por seguro, na grande maioria dos casos, quando são adquiridas e tal seguro é exigido pelo banco que empresta o dinheiro.

2. O que não falta por aí são casas já pagas e outras situações em que não há seguro.

3. Logo, não havendo seguro obrigatório, todas as pessoas nessa situação têm de ser tratadas por igual. Independentemente do dinheiro que possuam.

4. Quem reside em áreas próximas da floresta sabe que há o risco de incêndios. Como quem reside em outras zonas do Mundo sabe que há risco acrescido de terramotos, ou de tornados, etc.
Não pode é vir a ser beneficiado por isso.
Se o Elisário trabalhar por conta própria, assume o risco da actividade empresarial. Etc.

 
Às 22 agosto, 2005 16:57 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Caro Pedro Sá

Agora entendo, você é a favor da caridade e não da fraternidade, pois fraternidade é ajudar aqueles que pelo infortúnio não tem recursos para refazer a vida, e é daquilo que estamos a tratar, é de infortúnio caro Pedro Sá, e por isso que necessitamos de ser fraternos e não dar umas migalhas em "tom" de caridade.

 
Às 22 agosto, 2005 17:00 , Blogger Pedro Sá disse...

De facto, temos pensamentos muito diferentes.

O Elisário vê qualquer forma de segurança social com o objectivo de atender às necessidades de "quem mais precisa". A caridade tem o mesmo objectivo.

Eu vejo a segurança social como garantia de direitos. E nada mais que isso.

Não há diferença nenhuma entre o infortúnio derivado de um incêndio ou da insolvência pessoal no caso, p.ex., da falência da sua actividade por conta própria. É exactamente a mesma coisa.

 
Às 22 agosto, 2005 19:31 , Anonymous Comido nas listas disse...

Pedro Sa,
estas cada vez mais na mesma

 
Às 22 agosto, 2005 19:32 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

O Pedro Sá

Confundir Segurança Social com fraternidade? o meu amigo vai-me desculpar mas é comparar o incomparável, Quanto à SS estamos de acordo, são direitos adquiridos, mas SS nada tem a ver com o infortúnio de alguém que perde tudo num incêndio, quer ele seja de causas naturais ou criminais, ai sim entra a fraternidade de um povo para alguns que ficaram sem nada.

 
Às 22 agosto, 2005 19:38 , Anonymous Comido nas listas disse...

Excelente opiniao Marcelo. Subscrevo por inteiro.
Um abraço

 
Às 22 agosto, 2005 20:25 , Blogger Pedro Sá disse...

Se alguém perde tudo num incêndio, o Estado não tem nada a ver com isso. É simples.

Também não tem nada a ver com os acidentes de viação, p.ex.

 
Às 22 agosto, 2005 20:41 , Blogger Mario Garcia disse...

É O DESCRÉDITO...

 
Às 23 agosto, 2005 00:09 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Pedro Sá

Com todo o respeito mas o amigo está extremamente afectado pelos ideais neoliberais que afectam esta sociedade que alguns teimam em continuar a construir e que não vai levar a lado nenhum, isto é do pior que se pode fazer, é o descaracterizar dos ideais humanistas que sempre estiveram no horizonte do socialismo democrático.

 
Às 23 agosto, 2005 01:03 , Anonymous b. disse...

SA tas a bater no fundo...isso sim e verdadeiramente o Dscredito

 
Às 23 agosto, 2005 08:30 , Blogger Pedro Sá disse...

Isto é simples, meus caros amigos. A esse humanismo de pacotilha que não leva ninguém a lado nenhum eu obviamente digo não.

Isto é cada um por si e o Estado por todos. Obviamente que o Estado deve ter, apenas, as funções de soberania e as funções sociais ao nível da segurança social, saúde, educação e ambiente, sem prejuízo da construção de infra-estruturas.

Esta é a sociedade em que vivemos. E ainda bem. Essas ideias que o Elisário defende em nada diferem das que defende a direita conservadora. E que aí joga com os argumentos todos para defender a caridade. Para defender uma sociedade onde estejam todos mais preocupados com os outros do que consigo próprios. Entre outros males que levam, no limite, à limitação da liberdade através de várias formas de corporativismo.

Repito. Ainda que por meios diferentes, as diferenças entre a sociedade defendida pelo Elisário e a sociedade defendida pela direita conservadora são poucas ou nenhumas.

Por muito que custe a alguns, o socialismo do futuro é de matriz individualista. Aliás, depois das mudanças sociológicas existentes a partir dos anos 60 e da contra-reforma neoliberal nem pode ser de outra maneira.

 
Às 23 agosto, 2005 10:06 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

O Pedro Sá

Isto é o DESCRÉDITO!

 
Às 23 agosto, 2005 13:20 , Blogger Mario Garcia disse...

'O socialismo do futuro é de matriz individualista'?

Perdão?

E o liberalismo do futuro é de matriz colectiva?
O Estado Social do futuro é de matriz privada?
A Igreja do futuro é de matriz agnóstica?
A guerra do futuro é de matriz pacífica?

Antes de brincar com as palavras é preciso pensar duas vezes naquilo q significam.
Se o socialismo significa para ti individualismo, não estás a falar de socialismo. Faltou-te a palavra correcta.

 
Às 23 agosto, 2005 13:27 , Blogger Pedro Sá disse...

Parece que te esqueces da inflexão social em sentido individualista operada, em primeiro lugar, pelos reflexos das lutas sociais dos anos 60.

Vivemos numa sociedade individualista, e há que proceder às devidas adaptações, sob pena de a ideologia cair nos escombros.

Não há contradição nenhuma, bem pelo contrário, entre socialismo e individualismo. O valor mais importante do socialismo português é a liberdade. O PS é o Partido da Liberdade e da Democracia, acima de tudo.

Repito: cada um por si e o Estado por todos.

O que é que vocês desejam ? Uma sociedade utópica onde esteja tudo preocupado com a vida dos vizinhos ? Isso já não existe. As pessoas querem saber da sua vida, ponto. E isso não é nem pode ser censurável.

Não é por acaso que para mim é claro que há duas ideologias políticas que defendem o desenvolvimento: o socialismo e a direita liberal, ainda que o modelo desta última seja altamente criticável por todas as razões e mais alguma.

Do outro lado da barricada estão os marxistas e afins e a direita conservadora, com a sua noção passadista de sociedade comunitária e de preocupação das pessoas umas com as outras, e mais preocupados com solidariedades interindividuais e utopias do que com a realidade.

 
Às 23 agosto, 2005 15:20 , Blogger Mario Garcia disse...

Perante a tua descrição da 'realidade', espero que me consideres um 'marxista e afim', que defende uma sociedade solidária, onde apenas a garantia da igualdade de oportunidades pode garantir que a afirmação individual seja justa e leal.

Estamos pois em lados diferentes da barricada.

 
Às 23 agosto, 2005 15:29 , Blogger Pedro Sá disse...

Convinha que explicasses o que é "sociedade solidária", pois garantia de igualdade de oportunidades é coisa que evidentemente defendo.

Aliás, essa garantia existe a 100% em Portugal. Todas as situações em que poderia não existir e que dependeriam do Estado estão salvaguardadas.

 
Às 23 agosto, 2005 15:44 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Este rapaz vive onde????????

 
Às 23 agosto, 2005 15:48 , Blogger Mario Garcia disse...

Algures em Marte...

 
Às 23 agosto, 2005 15:57 , Blogger Pedro Sá disse...

Em Portugal. Obviamente.

Aliás, já percebi que discordam. Espero é que me digam algumas situações que considerem não estar salvaguardadas e que dependeriam do Estado.

 
Às 23 agosto, 2005 16:01 , Blogger Mario Garcia disse...

Infelizmente, é mais fácil o contrário.
Por exemplo:
Saúde
Educação
Cultura

 
Às 23 agosto, 2005 16:14 , Blogger Pedro Sá disse...

A igualdade de oportunidades na Saúde em geral está salvaguardada. Ao contrário de muitos, não passo nenhum atestado de estupidez ao Serviço Nacional de Saúde.

Aliás, e não querendo com isso nivelar a coisa por baixo, todos esperam. E sabemos que o recurso ao sector privado para cirurgias apenas é possível para um número muito reduzido de pessoas. Pelo que não se pode falar em desigualdade de oportunidades, em rigor.

Sem prejuízo de, aí sim, haver uma ou outra especialidade não incluída no SNS. A Medicina Dentária à cabeça, que deveria estar incluída.

A propósito: já era tempo de o Estado deixar de subsidiar os gastos com Saúde no sector privado em áreas abrangidas pelo SNS. Devia portanto essa rubrica desaparecer dos descontos no IRS.

Querem sector onde há mais igualdade de oportunidades que a Educação ? A falta de material em casa é suprida pela rede de bibliotecas existente por todo o país (Obrigado, Carrilho), melhor ou pior as escolas vão cumprindo o seu papel...falar em desigualdade de oportunidades parece-me ser uma profunda demagogia.

Quanto à cultura, não consigo sequer ponderar porque é que haverá desigualdade de oportunidades MESMO em abstracto, quanto mais em concreto. Queres explicar-me ?

 
Às 23 agosto, 2005 16:19 , Blogger Mario Garcia disse...

Tudo isso só prova que, no teu caso pessoal, nunca tiveste que testar a tua teoria.

E, no caso do SNS, espero que não o tenhas de fazer.

 
Às 23 agosto, 2005 16:24 , Blogger Pedro Sá disse...

Não, Mário. Tudo isto só prova que não tenho a visão catastrofista de que este é um país onde a maioria das pessoas está por natureza prejudicada e só os mais ricos podem tudo.

Onde se continua a propagandear essa ideia...
a) quer uma certa direita, com objectivos claros como a água;
b) quer uma certa esquerda, porque não fica satisfeita com tudo o que não seja um asqueroso igualitarismo.

PS - Queres-me explicar o que é desigualdade de oportunidades quanto à cultura sff ?

 
Às 23 agosto, 2005 16:35 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Pedro Sá

No Reino Unido, que foi governado com mão de ferro por uma dama do mesmo nome, esta senhora é considerada a mãe e o pai do neoliberalismo económico, que francamente não sei bem o que isto é, as garantias de igualdade e fraternidade são efectivas, vou contar-lhe um caso verdadeiro e que se passa com um jovem meu amigo.

Emigrou à dois anos para terras de sua majestade, foi estudar e trabalhar, não paga propinas, não paga livros, tem um subsidio para pagar a renda de casa, não paga saneamento, nasceu-lhe um filho lá além de nada pagar com a saúde do cachopo recebe cerca 380 euros por mês até aos 21 anos, agora arranjou um emprego a ganhar 2200 euros por mês já sabe vai a partir do próximo ano pagar as propinas, os livros, o saneamento, mantendo o subsidio para a renda de casa, é este tipo de estado social que eu defendo, onde os mais desfavorecidos têm ajudas de forma a terem o mesmo tipo de oportunidades.

Pedro Sá
Acredita naquilo que diz? Que o estado português dá o mesmo tipo de oportunidades a todos? O seu caso é mais grave do que pensava é mesmo um caso patológico.

 
Às 23 agosto, 2005 16:46 , Blogger Pedro Sá disse...

Obviamente que dá.

1. Quanto às propinas, é do conhecimento público que discordo da existência de qualquer tipo de propinas no Ensino Superior Público, por considerar que consubstanciam uma mentalidade segundo a qual o Ensino Superior é um luxo, ao contrário do Secundário.

2. Por razões que já expliquei mais que uma vez, não concordo com o fornecimento gratuito de livros. Até por uma razão pedagógica: quem não tem condições económicas para ter filhos, se os tem terá que assumir as devidas consequências do facto.

3. Muito menos com subsídios para pagar renda de casa. O Estado não tem que se meter no mercado de habitação. Aliás, mesmo se eu concordasse com subsídios, nunca poderia concordar com subsídios para estrangeiros, por motivos óbvios.

4. Qualquer especialista em Regulação das Águas e Resíduos dir-lhe-á como é nocivo os serviços de água e saneamento serem gratuitos, seja em que situação for.

5. ? 380 por mês por ter um filho ? Isso é tão direitista que nem a Sra. Thatcher concordava com isso...aliás, a própria já escreveu a condenar esse tipo de medidas, por considerar que o Estado não tem nada que se meter na vida privada das pessoas.

6. O seu raciocínio tem um gravíssimo inconveniente: é facilmente usado pela direita liberal para justificar o fim do Estado-Providência em termos gerais, limitando-se "aos que mais precisam".
Aliás, se formos justificar o Estado-Providência com base nesse raciocínio, não temos argumentos contra o que eles defendem.
Porém, se o justificarmos numa lógica de atribuição de DIREITOS e não de ajuda, aí a coisa muda radicalmente de figura.

 
Às 23 agosto, 2005 17:05 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

O seu ponto 2
É um direito ter filhos, e ponto final, é uma necessidade ter filhos, e ponto final, e o contrário é uma visão neofascista meu caro Pedro Sá,
Não são só os mais favorecidos que podem ter filhos isto é cavar ainda mais o fosso das desigualdades.

O seu ponto 3
Estrangeiro? Desde quando? Você nunca ouviu falar no cidadão europeu? Não sabe que não podem existir descriminações entre estados e pessoas?

O seu ponto 5
Você não entendeu, a Tatcher é do mais reaccionário que existe e é por isso que ela escreve essas alarvidades que você aplaude, você é de direita, você é reaccionário, ou então gosta de espicaçar os comentários.

Pedro Sá
Não vou perder mais tempo consigo, se quiser uma discussão mais profunda eu dou-lhe aqui publicamente o meu mail e nós marcamos um encontro, agora você aplaudir ideias reaccionárias e dizer que são de esquerda! Por favor já não tenho paciência.

Elisiario.figueiredo@gmail.com

 
Às 23 agosto, 2005 17:13 , Anonymous Anónimo disse...

O Elisiario Figueiredo

Na boca deste Pedro Sá passaste a ser um perigoso Marxista.

 
Às 23 agosto, 2005 18:07 , Blogger Rui Pedro Nascimento disse...

Pedro Sá,

Tu tornaste-te um liberal de direita com algumas (resteas) de ideias de esquerda. E nem comeces a divagar com coisas do estilo "e o que é isso de ter ideias de esquerda?". Porque ninguém te impede de defenderes o que muito bem entenderes. Só não lhe chames é "de esquerda" ou "socialista" (em termos de PS). Parece-me que nem a direita liberal iria tão longe quanto tu. Deixa-me explicar-te uma coisa: A defesa da igualdade
tem a ver com a igualdade de oportunidades. Como tu sabes (e se não sabes devias saber) isso é algo que em Portugal não é acautelado. Mas defender que não se deve de ajudar quem tudo perdeu pelo fogo, como os dramas que temos assistido, e ajudar a repor as suas vidas no mesmo ponto em que estavam antes do sucedido, é tão somente apoiar a manutenção da igualdade de oportunidades exactamente com estava antes (que já não era uma situação ideal, longe disso). Tu defendes a igualdade por baixo, ou seja, não se ajuda ninguém, que é porque assim somos todos iguais. E essa de que temos que nos adaptar à sociedade em que vivemos, e portanto temos de ser individualistas, É DO MAIS ESTÚPIDO QUE OUVI (OU LI) ATÉ HOJE. Caso não tenhas percebido, estás neste ponto de individualismo PORQUE ASSIM TE LEVARAM A TAL, movimento esse que começou nos anos 80. Para quem anda não política, é de perguntar: o que andas tu a fazer na política? Deixa estar, não digas...

 
Às 23 agosto, 2005 19:03 , Blogger Pedro Sá disse...

Elisário:

1. É um direito ? Sem dúvida. Mas ao fazê-lo cada um assume as devidas consequências.

2. Necessidade ? Essa é para rir.

3. Infelizmente, a Constituição até dá mais direitos aos cidadãos dos países de língua portuguesa que aos cidadãos europeus. O que não faz sentido NENHUM.
Em qualquer caso, a concessão de subsídios à renda (em si, um absurdo) é uma situação em que não se verifica igualdade entre portugueses e comunitários, sob pena de todas as situaçºões que certamente imaginam.

4. Errado, meu caro Elisário. A Sra. Thatcher nesse ponto segue o pensamento liberal e de esquerda e ignora a direita mais conservadora, sempre a querer que o Estado subsidie os filhos com o objectivo de fazer das mulheres meras donas de casa e mães de filhos e querendo retirá-las do mercado de trabalho.
Infelizmente, repito, vejo pessoas de esquerda a aplaudir as ideias mais reaccionárias. Também defende a concessão de ordenado às domésticas "para que possam escolher entre ficar em casa e trabalhar" ????

 
Às 23 agosto, 2005 19:11 , Blogger Pedro Sá disse...

1. É curioso como é que alguém que defende (bem mais que a maioria dos socialistas) até às últimas os sistemas públicos sociais (segurança social, educação, saúde) é considerado liberal com résteas de ideias de esquerda.

2. Vou repetir: sou contra as ajudas às vítimas dos incêndios porque configuram desigualdades face a qualquer pessoa que tenha um incêndio na sua casa num meio urbano.
Mais: não sendo direitos que estão em causa, caem fora da alçada da protecção social do Estado.
E se alguém tiver um negócio e for à falência e ficar sem nada, também não vai receber ajudas especiais.

3. A questão da adaptação é clara como a água. Ou o socialismo se adapta à sociedade individualista ou os partidos socialistas estão condenados a desaparecer, encurralados entre os liberais que serão cada vez mais dominantes à direita e a extrema-esquerda caviar infelizmente em progressão na Europa, e que configura uma clara oposição a esta sociedade de liberdade e de bem-estar.

Infelizmente, muita gente, pelos vistos, preferia uma sociedade mais pobre e com menos oportunidades, só porque mais "solidária" e com "proximidade".

4. A questão é que não entendo os sistemas sociais como forma de ajuda aos mais desfavorecidos. Mas como consequência da existência de direitos.
Exemplo básico: a pensão de velhice, atribuída a quem tem mais que uma determinada idade nos termos da lei.

5. Eu defendo a igualdade por cima, e não as ajudinhas que só fomentam o miserabilismo.

6. Obviamente que estou na política para fazer o meu melhor pelo País. E no PS porque acredito no papel do Estado enquanto promotor das infra-estruturas básicas, bem como no respectivo papel social.

Lembro ainda que a forma de ver os direitos que a maioria da esquerda infelizmente ainda tem é a única e exclusiva responsável pelo aparecimento de certas horrendas ideias da direita liberal, com a "liberdade de escolha na educação" à cabeça.

 
Às 23 agosto, 2005 19:25 , Anonymous Anónimo disse...

O Sá vai para o Partido NAZI! se existir, se não cria-o tu.

 
Às 23 agosto, 2005 20:38 , Blogger Pedro Sá disse...

Tinha que aparecer um engraçadinho de serviço.

 
Às 23 agosto, 2005 23:46 , Blogger Tonibler disse...

Vim a um blog que um amigo disse estar populado de chuchas. Confesso que isto é melhor que poderia pensar de início :)

Os PS's, na sua migração para a direita, perdem-se no caminho e já não entendem bem por onde andam.

Posso?? Ora co'licença....

1. Ter filhos é obviamente um direito. E que os tem assume as consequências (porra, vocês discutem isto???). Se o estado, ou melhor, nós pagamos livros ou educação aos filhos dos outros é porque nós, enquanto nação, nos protegemos uns aos outros. Por isso, se calhar, nos chamamos de nação. E a forma de nos protegermos uns aos outros é tentar garantir que aquele cujos meios claramente indicam que o seu futuro é matar-nos para comer, passe a produzir para pagar a educação dos nossos filhos. Chama-se a isto o investimento social, de que qualquer liberal como eu é um ferrenho defensor. Até porque é mais barato pagar livros hoje, que polícias amanhã. Obviamente que há sempre que se incomode com o conceito de nação, mas não queira largar os previlégios de nela viver. Mas isso....

2. Folgo encontrar num blog de chuchas alguém que é contra as propinas. Infelizmente, pelas razões erradas. A existência ou não de propinas só se justificava se o dinheiro gasto pelo contribuinte não fosse destruído para satisfazer interesses privados: os dos professores. Para satisfazer os interesses privados do professores, o custo de um aluno no serviço público é um absurdo. Face a esta destruição de valor, é um roubo que se vá destruir mais obrigando a sociedade consumidora a pagar algo elo qual já pagou duas ou três vezes.

3. Os subsídios às vítimas de incêndios não é uma injustiça e é, simultaneamente. Tem que ver com o conceito de o que é uma perda esperada ou não. Para os agricultores e silvicultores, não me venham dizer passados 20 anos de incêndios graves, que perder a cultura num incêndio não é uma perda esperada. É. Por isso a cultura deveria estar coberta por seguros. Se os seguros não cobrem tal eventualidade, então significa que a actividade não é economicamente viável, pelo ue não a devo sustentar. Para as pessoas que perdem uma casa devido a um incêndio florestal é uma perda inesperada e é para isso que servem os fundos de emergência para que os coontribuintes pagam.


Já vai longo.....Já chega.

 
Às 24 agosto, 2005 09:14 , Anonymous PGA disse...

tonibler,

excelente análise...acho que hoje vais ser trocidado!!!...então entras num blogue rosa e ousas questionar a políitica (e a dotrina) dos socialistas para a educação e para a solidariedade? isso não se faz!

 
Às 24 agosto, 2005 11:33 , Blogger Monsenhor disse...

Caros amigos

Pois é...o país continua a arder e vocês continuam na discussão: 'Eu sou mais de esquerda do que tu...'

A gente humilde (e algumas vezes irresponsável na gestão do património florestal)que num ápice se vê sem nada merece a nossa solidariedade activa. O Estado, porque nós enquanto comunidade assim o queremos, deve empreender e ser solidário.

Mas não chega. Não seria interessante propor que os proprietários privados tivessem um seguro obrigatório de responsabilidade civil que deveria ser accionado quando não cumprissem as regras de ordenamento de território (quando um dia as regras existirem, claro!)

É só uma ideia....

M

 
Às 24 agosto, 2005 11:39 , Blogger Pedro Sá disse...

O problema é que nunca se vê tal solidariedade existir quando se trata de pessoas em meios urbanos.

A questão começa logo aí. Para não falar que o risco de incêndio é um risco como qualquer outro. Como o de falência numa empresa, como o de acidente quando se anda de automóvel, etc.

 
Às 24 agosto, 2005 12:10 , Blogger Tonibler disse...

Vê-se, sim! A questão está no grau de risco. Um acidente de automóvel ou a falência de uma empresa podem requerer a intervenção do estado face à previsibilidade das suas consequências. A eventual falência de um banco, face à sua imprevisibilidade e consequências, leva à intervenção financeira do estado (dinheiro do contribuinte, portanto) e um acidente de automóvel se tiver consequências catastróficas também.

Aquilo que pode argumentar é, se passados 20 ou mais verões com a mesma história, tudo isto não é mais que previsível e se não cabia aos próprios fazer o mesmo que fazem os condutores...

 
Às 24 agosto, 2005 12:37 , Blogger S. disse...

Se um doente mental vos abordar na rua e disser um monte de baboseiras, vocês levam-no a sério? Dão-lhe resposta?
Eu cá sorrio, e viro costas. Não há nada a fazer em certos casos.
Mandem o Pedro Sá de volta para de onde ele fugiu.

 
Às 24 agosto, 2005 13:26 , Blogger Pedro Sá disse...

1. As normas em vigor protegem o sistema bancário, pelo que pensar em falência de um banco é ponderar uma hipótese quase académica.

2. O Estado não intervém em casos de acidentes de automóvel. E se intervém para evitar falências de empresas, faz mal.

3. Não desço ao nível da Sílvia sem Filtro.

 
Às 24 agosto, 2005 14:27 , Blogger Rui Pedro Nascimento disse...

Pedro:
"1. É curioso como é que alguém que defende (bem mais que a maioria dos socialistas) até às últimas os sistemas públicos sociais (segurança social, educação, saúde) é considerado liberal com résteas de ideias de esquerda."

Só confirma o que eu disse, até porque dizes que defendes, mas depois quando avanças no raciocínio...

Eurico: Realmente é chato o país continua a arder e nós continuamos "na discussão: 'Eu sou mais de esquerda do que tu...'". Pronto, assim pudeste dizer que o A tem, muitas vezes, mais culpa que o B. Mas já agora, e porque é uma área onde estás mais á vontade, poderiamos especular sobre várias medidas a tomar para a prevenção e combate de incêndios, desde a utilização do exército para a limpeza das matas, até à profionalização dos bombeiros, com os salários e o investimento no equipamento dos mesmos, mais formação, etc, e o impacto que isso teria na despesa pública. Mas sabes duma coisa? Embora mudassemos o âmbito da discussão, o País continua a arder...

 
Às 24 agosto, 2005 14:48 , Blogger Tonibler disse...

1. No caso, inesperado, da falência de um banco, o estado intervém. Bancos são empresas certo? E um fogo entrar no limite urbano de Coimbra, não é uma hipótese académica? Catástrofes são, à partida, eventos inesperados. E para isso os contribuintes constituem um fundo à guarda dos governos.

2. Depende do acidente. Se estiver a pensar em 99,9% dos acidentes, realmente o estado não intervém. Na hipótese, académica como lhe chama, de um carro cair da ponte 25 Abril em cima de um petroleiro que passa que explode arrasando com meia Lisboa, não deixa de ser um acidente de automóvel de responsabilidade do condutor cuja probabilidade sendo baixa, não é nula. Inesperada, digo eu.

Tudo isto significa que concordo consigo na parte esperada. Não concordo que o estado pague a agricultores e silvicultores por causa de incêndios depois de 20 e tal verões iguais. Esta perda é esperada e deve ser tomada em conta como risco de negócio. Não concordo consigo quando a perda é inesperada, como no caso de casas dentro de localidades.

 
Às 24 agosto, 2005 15:33 , Blogger 2x1 disse...

A nossa conversa, caro Pedro Sá, tinha acabado, mas ainda aceito acrescentar aqui algumas coisas.
Se acha que para argumentar com a S. tinha que "descer", talvez seja porque voçê se encontra em bicos-de-pés-em-cima-de-uma-cadeira a ver se se safa no partido político em que pasta alegremente. Ainda por cima, escolheu o partido errado! A sua cabeça é uma confusão! Confunde Ultra-liberalismo com Socialismo-democrático! Confunde livre-oportunidade com vale-tudo-até-arrancar-olhos -e-que-se-danem-os-desgraçadinhos-morassem-na-cidade-que-já-não-lhes-ardiam-as-casas.
Com o respeito possível: VÁ DAR UMA VOLTA AO BILHAR GRANDE!
Ou então vá ao psiquiatra, que o senhor é fascista e não sabe...

 
Às 24 agosto, 2005 15:40 , Blogger S. disse...

Ganho dinheiro com cada visita ao meu blog. Obrigada Pedro Sá!
Desça quando quiser.

 
Às 24 agosto, 2005 17:28 , Blogger Pedro Sá disse...

Rui:

Quando avanço no raciocínio não se nota diferença nenhuma. A segurança social existe para garantir direitos. Não para acudir aos coitadinhos.

Tonibler:

O Estado intervém na falência de um banco tendo em conta o carácter extremamente específico de tais instituições, e única e exclusivamente para defender interesses de terceiros, dos depositantes.
Não é a mesma coisa do que outra empresa qualquer.

2x1:

Lamento que tenha descido ao nível da outra. É triste.

 
Às 24 agosto, 2005 18:48 , Anonymous elisiario figueiredo disse...

Marcelo Moniz

A culpa é tua, eu é que já não dou mais trouco a este pseudo neoliberal com tiques populista.

Um abraço, dos nossos....

 
Às 24 agosto, 2005 18:53 , Blogger Tonibler disse...

E na CP para proteger os viajantes, na Brisa para proteger os condutores, na PT para proteger os empregados, ...

Enfim, sempre que existem valor mais altos que a simples equidade abstracta, perante um evento inesperado, o estado intervem com o dinheiro do contribuinte, que é para isso mesmo que serve, não é para sustentar pançudos.

 
Às 24 agosto, 2005 19:13 , Blogger Pedro Sá disse...

Meu caro Tonibler, as regras comunitárias de Direito da Concorrência impedem que intervenha em qualquer dessas empresas...

 
Às 24 agosto, 2005 19:40 , Blogger Tonibler disse...

Meu caro Sá, as regras comunitárias valem o que valem. Se hoje o estado intervem de facto nessas empresas, numa situação de catástrofe intervem de certeza.

E não é só nessas, o que não falta para aí são empresas 'estratégicas' e de 'interesse nacional'.

 
Às 24 agosto, 2005 21:48 , Blogger Pedro Sá disse...

Ah ! Não estávamos a falar da mesma coisa !

Uma coisa é de facto a intervenção enquanto accionista, que obviamente existe.

Outra coisa são os auxílios de Estado, proibidos nos termos do Tratado de Roma.

 
Às 24 agosto, 2005 23:49 , Blogger Tonibler disse...

Sim,sim...Quando fôr preciso venham cá refilar...Aliás, a OTA é exactamente o quê senão isso? De que é que viviam os partidos políticos?

Tratado de Roma diz?...É em papel macio?...

 

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