quarta-feira, julho 27, 2005

O manifesto anti-OTA e AVF

Meus caros

O manifesto anti-OTA e a AV Ferroviária é sinónimo da mediocridade reinante. Ou seja, não sabem do que falam, não sabem como criar riqueza, falam, falam, falam....mas na verdade levam o país para um beco sem saída.

Cuidado. Alguns dos que assinam estes manisfesto também foram contra a entrada na CEE, a EXPO 98, o Euro 2004, a entrada na moeda única, a Ponte Vasco da Gama... e seriam seguramente contra a Ponte 25A (OS na altura).

Pobre país que não quer sair do ciclo vicioso da pobreza.Pobre é e pobre quer ficar.

Devíamos era pensar...que trabalho qualificado é que criamos ou mantemos; qual o impacto na competitividade da nossa indústria e dos nossos serviços; que modelo de gestão e de financiamento...contudo, os que falam, falam, falam sabem pouco, são apenas contra, porque se vai gastar umas 'massas'.Temos uma oposição de sound byte...como,antes, durante três anos, tivemos dois Governos igualmente de sound byte.

Devo ainda acrescentar, já pensaram no dinheiro que gastámos (e continuaremos a gastar) para manter a Portela? Será racional, porque não tomámos atempadamente a decisão, gastar 500 milhões de euros na Portela para ter uma capacidade de 18 milhões de passageiros? E o ASC? 600 milhões de euros em obras para um aeroporto sem procura internacional (e sem oferta - a TAP faz hub em Lisboa)? Somem, e concluam sobre a nossa forma de gerir os dinheiros públicos...sem horizontes, sem futuro, numa política do deixa-andar. Não é (foi anunciado por um ministro de nome Carlos Tavares que não é do PS) o Turismo uma das prioridades do país? Temos que parar com isto.

E a AV Ferroviária? Já pensaram que Lisboa será a única capital europeia que não terá uma ligação internacional em AV? Já pensaram em quem é que vai investir num país onde não há mobilidade (e que é periférico)? Já pensaram como é que empresas que têm centros de investigação de excelência em Portugal, como a Alcatel, a Siemens, etc., etc., vão poder manter o emprego de centenas de engenheiros se o país não tiver negócios com dimensão que potenciem o seu posicionamento dentro destes grandes grupos multinacionais? Este é emprego qualificado, com valor, para desenvolver o país.

E as empresas de obras públicas? Vão continuar a construir Auto-estradas? Ou têm que mudar de registo, aproximar-se negócios com maior complexidade para, mais tarde, poderem concorrer em Espanha, em França, na Europa de leste, com know-how de realização em grandes concursos internacionais?

Mais, já pensaram que se não tivermos uma boa solução ferroviária, para as distâncias e os destinos considerados, só nos restará a rodovia e o consequente aumento do consumo de combustíveis fósseis (sim, meus caros, petróleo, a 80, ou mais, dólares o barril!!!!!)

As empresas espanholas já o começaram a fazer há muito...e os nossos continuam a pensar...4,1, 5,1, 6,4, 6,83....por favor que mediocridade. Já viram que, apesar de tudo, Manuelas, Bagões e Cunhas, o rácio não melhora?

Portugal tem que corrigir o défice, mas não é por aqui. É através do corte da despesa pública gerada pela ineficiência, pela baixa qualificação dos FP's, pela forma obsoleta como gerimos hospitais, centros de saúde, escolas, tribunais, segurança pública, etc, etc. Aí sim, é para cortar com a despesa que não gera valor para os cidadãos...

Caros bloggers, que país é que vamos deixar aos nossos filhos daqui a uma geração? Sabem que o sistema universitário tem cada vez mais dificuldades em garantir que os seus melhores quadros fiquem no país? Sabem que temos problemas de fixação de quadros empresariais com valor que cada vez mais vão para Madrid, Barcelona, Londres, NY, etc...

Como é que querem sair daqui? Sem mudar nada? Sem se mexerem? Sem criar condições de investimento?

Pobre país...que se tivesse que voltar a ir à Índia esbarraria nos investimentos necessários para construir a frota, não investiria numa escola em Sagres e, possivelmente, estaria à procura de um salvador da pátria 'poupadinho'.

Abs e boas férias,

M

12 Comentários:

Às 27 julho, 2005 12:12 , Blogger Bekx disse...

E que se lixem as contas, não é? É preciso é gastar. Investimento sim, mas não a qualquer preço.

 
Às 27 julho, 2005 12:38 , Blogger Monsenhor disse...

Caros bloggers,

As contas? Os rácios têm um numerador e um denominador...não pensem só no numerador...o que 'lixa' as contas é a deslocalização de empresas, os aumentos automáticos na função pública, a não definição clara do conceito de exclusividade dos médicos, os professores com horário zero, os milhares de estudos improdutivos e inconsequentes, as milheares de rotundas e as centenas de fontanários deste país, etc., etc.

Há bom investimento público. Recuso-me a que queiram catalogar todo o investimento público como mau investimento...

Não deixa de ser curioso...um país de navegantes com a tentação de se afundar...

M

 
Às 27 julho, 2005 14:02 , Blogger fg disse...

A questão da OTA deve resolver-se com cabeça. É óbvio que um novo aeroporto é necessário. Mas talvez não a 40 km de Lisboa. Invista-se, mas mais perto da Capital.

Outra coisas apenas: o que ganhámos, nós os comuns portugueses, com o Euro 2004?
Que eu saiba, nada. Nada alterou, a não ser a afluência de turismo nesse ano. De resto....só os construtores e alguns (muito poucos) arquitectos!

 
Às 27 julho, 2005 14:22 , Blogger Monsenhor disse...

Caro fg,

Não concordo...porque será que a procura dos aeroportos não diminuiu em 2005? Não terá o esforço promocional do Euro 2004 sustentado um nível de procura superior à média em 2005?

As empresas não fazem promoções? O nosso turismo não ganhou nada com essa promoção?

É óbvio o que o seu efeito não se esgota no momento. Concordo que deve ser monotorizado, orientado para o desenvolvimento de acções nos mercados onde o Euro teve maior visibilidade, permitindo alanvacar a imagem de Portugal no exterior.

Podemos sempre discutir se podíamos ter feito menos estádios. É verdade que 10 podem ter sido demasiados (o que só em sede de candidatura se poderia saber).

Relembro ainda a Expo98: foi feito um estudo, já em 2003, sobre o impacto económico (Univ. Nova). Resultado: altamente satisfatório (em termos económico-financeiros).Não se esgotou em 1998.

Outro ponto: fico contente por não se discutir o novo aeroporto, e sim a sua localização. Esse é outro aspecto, mas não o essencial. Ou seja, é mesmo preciso um novo aeroporto independemente da localização. Rio Frio? Falem com a Quercus e perguntem-lhe se não impugnaria em Bruxelas o investimento como o fez com a AE do Sul. Em Rio Frio estamos numa zona protegida atravessada por aves migratórias...suspeito (sim, apenas suspeito não tenho a certeza)que qualquer estudo de impacto ambiental chumabaria a proposta (e ficávamos sem os financiamentos comunitários para o projecto).


Contudo, deixo em aberto aqui uma questão que considero importante: que tipo de parcerias público-privadas interessam? Que risco partilha o Estado com os privados nesses
PPP's? Que modelos de financiamento e de gestão? Mais Lusopontes? Mais Scuts?

Esta sim, é uma questão interessante, fundamental para a gestão das obras públicas e dos serviços públicos concessionados.

Abs,

M

 
Às 28 julho, 2005 12:06 , Anonymous ligtav disse...

Caro "monsenhor", permita-me antes de mais aqui deixar uma palavra de apreço por um texto, acima de tudo, lúcido e coerente!
Confesso que já começava a desesperar por ver este nosso "mundo" de "conquistadores" se tornar cada vez mais um mundo de "conquistados", ou pior, de "acomodados".
Concordo inteiramente com o essencial do texto que acabo de ler.
Rejeito igualmente essa idéia de que investimento público é sinónimo de "mau" investimento público.
Há que pensar pra frente. Há que arriscar por "mares nunca dantes navegados" se necessário for (e é!).
Pelo que vejo, segundo a opinião de "alguns", talvez o melhor mesmo era D. Afonso Henriques ter inciado as suas conquistas para norte, quem sabe...
Quanto a mim, orgulho-me de ser portuguesa! Orgulho-me de Portugal!
E mais, hoje, como há cerca de 6 meses atrás, continuo a acreditar na mudança...
Cumprimentos.
Ah, deixo aqui o convite para que visitem o meu «Liblog» - http://planetamercuryii.blogs.sapo.pt

 
Às 28 julho, 2005 22:56 , Anonymous Anónimo disse...

Uma perguntinha: "A QUEM PERTECEM OS TERRENOS DA OTA"?
Não é por nada, mas a resposta pode esclarecer muita coisa, não? Paulo Veloso

 
Às 29 julho, 2005 12:00 , Anonymous crítica 2 disse...

Não vale a pena você perder tempo a argumentar, porque esta direita é muito estúpida. Bem faz o Sócrates, que nem lhes responde e anda sempre em frente, com a OTA e o TGV e o resto do programa. É mesmo assim,não vale a pena perder tempo com gentinha medíocre.

 
Às 30 julho, 2005 04:33 , Anonymous tnt disse...

"Pobre país que não quer sair do ciclo vicioso da pobreza.Pobre é e pobre quer ficar."

Brinquem, brinquem! Se vierem TGV's e mega-projectos, podem estar certos que virá um Salazar também para vos pôr na ordem.

 
Às 09 agosto, 2005 11:00 , Blogger 2x1 disse...

Caro Monsenhor,
Já vi que gosta de espalhar a confusão e a polémica. Mas, lamento, a OTA e o TGV, não são temas fracturantes. São temas AFUNDANTES!
Experimente ser utente dos Hospitais Públicos (ou dos Centros de Saúde). Volte às escolas primárias e secundárias e veja os alunos a tiritarem de frio no inverno e a destilarem suor no verão; alunos desinteressados, com professores sem vocação em estabelecimentos de ensino sem condições (um aquecimento central é o mínimo), nem material didáctico (não basta atirar-lhes com um computadores ligados à net, para se tornarem génios).
O País não tem infraestruturas condignas no mais básico: a Saúde e a Educação. Curiosamente estas últimas eram a "Paixão" de alguns PM's, mas como sempre, foi o que se viu...
Como tal, e para concluir, PARA QUÊ A OTA E O TGV? (até rima). Turistas continuamos a ter e nem no Euro2004 os aeroportos saturaram. O argumento da saturação a longo prazo é uma falácia total. Da maneira como este país está a ser gerido, daqui a 20 anos, o tráfego vai provavelmente diminuir, pois pouco mais sobrará aqui do que resorts de golfe e praia, mato queimado e criações de gado e porco preto espanhol...
Enquanto isso, os fascistas esfregam as mãos de contentes: é que a ideia de que «precisávamos de um novo Salazar para pôr ordem nisto», começa insidiosamente a voltar ao subconsciente dos portugueses (e o Cavaco é um bom candidato para a função).
Sempre fui uma pessoa pacífica, mas quando tecno-econo-cratas vêm defender políticas de "investimento" e defender os interesses dos nossos contrutores civis e obras públicas (coitadinhos), só me apetece correr todos à bengalada, à maneira do Eça!!!!!!

 
Às 09 agosto, 2005 19:09 , Blogger Monsenhor disse...

Meus caros,

Que grande confusao...das bengalas, äs criancinhas a tiritar de frio, com o Salazar a vir por aí (numa versao Cavaco com os construtores civis).

Nem uma ideia que se aproveite! Nem um argumento sobre o qual valha a pena parar para pensar...nada, o vazio absoluto.

Só questoes obvias, de mesa de café, sem conteúdo, falando, falando, sem dizer nada.

Com o tráfego a diminuir (o que curiosamente nunca aconteceu, mesmo com o Salazar), etc, etc.

Perdoem-me a franqueza: pobre, sem fundamento, sem uma única tese sobre o assunto.

O Eça, se fosse vivo, corria á bengalada este conjunto de seres 'chic a valer', qual Dâmaso, que na noite conspiram contra o que está e criticam o que virá a seguir.

E a seguir...espero que venham argumentos a sério para melhorar a discussao.

Abs,

M

PS: disculpem os acentos, mas os teclados catalaes sao um bocadinho diferentes.

 
Às 11 agosto, 2005 15:05 , Blogger 2x1 disse...

Meu caro monsenhor,
No esforço diário que faço por me manter informado sobre as coisas de Portugal e do Mundo (sim, porque a informação isenta já começa a ser dificíl de encontrar), não consigo manter uma postura que não de total pessimismo-que-redunda-em-indignação-que-acaba-em-indiferença.
Quer argumentos hábeis, doutos e informados? Não sou eu que lhe vou dar aqueles que quer ouvir.
Venha a Ota, o TGV e raio-que-os-parta. Eu, comecei a não querer saber.
A displicência e o ultra-liberalismo com que se governa o país, está a levar isto tudo para um panorama de assimetrias sociais e culturais aberrante.
E, já agora: se pelos visto escreve da Catalunha, porque não volta para Portugal e põe as suas inabalábeis ideias em prática? Saiu do país, não foi? Pois é. É bonito mandar postas de pescada, quando "já se pôs ao fresco".
Desculpe o tom coloquial, mas já não tenho paciência para meias-tintas.
Quando tiver oportunidade, também eu sairei do país. Somos ratos a abandonar o navio, mas os nossos capitães não nos dão outra hipótese...

 
Às 01 junho, 2007 16:12 , Anonymous Anónimo disse...

Isto anda mas é tudo doido!
Tecnicamente é possivel fazer um aeroporto onde der na gana, vejam o aeroporto da madeira, o de Gibraltar, existem até alguns construídos em encostas semi escarpadas de montanhas (passe-se o exagero). É tudo uma questão de gosto e oportunidade, já para não falar de necessidade.

A questão é saber se o temos de fazer ou não. Está decidido, é para fazer. Depois escolhe-se um local, o qual irá agradar a uns e desagradar a outros, está decidido. Por fim é meter as mãos à obra e construir o dito.

Bolas, tantos gjos a pensar e tão poucos a trabalhar.

 

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